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Produção industrial do país está estagnada

A produção industrial do país caiu 1,7% no mês de maio em comparação a abril

A produção industrial do país caiu 1,7% no mês de maio em comparação a abril (índice dessazonalizado), segundo dados do oficial IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação a produção industrial de maio sobre dezembro do ano passado a queda é ainda maior: - 2,1%. O resultado mostra a estagnação do setor desde o início do ano com ligeira queda.

Segundo dados do próprio IBGE, de janeiro para cá verifica-se uma oscilação mês a mês no comportamento da indústria: em janeiro a queda foi de -1,0%, em fevereiro houve um pequeno crescimento de 2,8%, em março a queda foi de - 4,4% , em abril voltou a subir 2,4% e em maio nova queda: - 1,7%.

Dos 20 ramos pesquisados no mês de maio, 12 apresentam queda: o setor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis teve uma queda maior: - 1,8% (ver matéria abaixo); em maio a indústria de transformação teve sua produção reduzida em 1,6% na comparação com abril, e caiu 1,1% em maio sobre dezembro do ano passado.

Como o leitor pode verificar, os dados não dão sustentação à tese de "trajetória de recuperação da indústria" que os governistas estão falando, baseados no crescimento de 6% em relação ao mês de maio de 1999. No primeiro semestre de 1999 a indústria foi ao fundo do poço: os juros estratosféricos chegavam a 50% ao ano, o governo se submeteu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e lançou o pacote 51 provocando a quebradeira generalizada de setores inteiros da indústria e sua conseqüente desnacionalização, desempregando centenas de milhares de trabalhadores. No segundo semestre de 1999 houve uma recuperação da economia e como nós vimos, através dos dados do IBGE, no primeiro semestre deste ano verifica-se uma estagnação na produção industrial.

Comparando o resultado de agora com o ano de 1988, em dois anos houve um crescimento de 3% na indústria, ou seja, 1,5% ao ano, um variação ligeiramente superior ao crescimento populacional. A produção per capita esteve estagnada nos últimos dois anos.

Além do desmonte, o parque industrial nacional vem sofrendo o encolhimento de sua capacidade produtiva. Centenas de indústrias foram obrigadas a fechar as portas e a dispensar seus funcionários. As que sobreviveram foram açambarcadas por empresas estrangeiras travestidas de "investidores". Agora, diante do desastroso quadro, qualquer parafuso fabricado a mais é computado como "aumento" da produção, "recuperação" do setor e outras camuflagens na tentativa de escamotear a realidade.

Redação

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