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Povo repudia FHC

Eleitor votou contra, apesar da mídia governista, das "pesquisas", da máquina oficial e tudo mais

O resultado do primeiro turno das eleições municipais ficará como uma sentença insofismável a revelar o cunho antipopular, antinacional e antidemocrático da quadrilha no poder. Sempre se disse que as eleições são um julgamento popular. Esta, com efeito, foi. Pois não se trata apenas - o que já é algo retumbante - de que o povo repudiou avassaladoramente os candidatos do Planalto, e principalmente nos locais mais importantes e mais decisivos para a economia e a política. O povo votou contra eles apesar de - e também contra - todas as tentativas de encerrá-lo num curral: todo um esmagador aparato da mídia governista, "pesquisas", poder econômico, máquina oficial e outras menores mas quase infinitas formas de constrangimento e bloqueio da vontade popular, foram incapazes de evitar uma derrota acachapante de Fernando Henrique & sequazes no conjunto do Brasil.

TRUPE

Aliás, a trupe palaciana não faz mais do que confessá-lo ao dizer que as eleições atuais são "municipais", que o governo e Fernando Henrique "não estão em julgamento", etc., etc. Se não estivesse em julgamento, eles não teriam se desesperado tanto, com a falta de pudor e de escrúpulos de sempre, em tentar impor seus candidatos ao povo. O que é tão óbvio quanto o fato de que as eleições são municipais. E exatamente por isso a derrota do governo é mais marcante e evidente: numa eleição municipal, em que não estava em jogo o poder central, os candidatos ligados ao bando foram varridos em todos os lugares importantes.

Verdade seja dita, a situação do Brasil é tal que qualquer embate, por mais modesto que seja - alunos de uma escola querendo melhor ensino, idosos numa fila protestando contra o descaso, moradores lutando por melhorias para o seu bairro - coloca em xeque e em julgamento um governo que estrangula Estados e municípios, destrói a Educação e a Saúde, assalta o Tesouro, entrega as riquezas do país e desbarata a propriedade do povo.

Nem sendo uma eleição secundária em relação à mudança de destinos do país, portanto, seus candidatos conseguiram algum sucesso - mesmo com a máquina administrativa sendo usada de forma indecorosa em seu benefício, mesmo com mídia a favor, mesmo com "pesquisas" fabricadas para favorecê-los. E, inclusive nos lugares em que o PSDB venceu, seus candidatos não somente não defenderam o governo, como, nos principais, se alinharam ou foram obrigados a se alinhar com a oposição - o caso de Teresina, cujo prefeito se reelegeu com o interessante slogan de "Fica Firmino, fora FHC!", está longe de ser singular. Foi a regra entre esses candidatos, ainda que nem todos com a mesma nítida definição. Nem mesmo na única das principais capitais onde um candidato tucano conseguiu à duras penas chegar ao segundo turno - Belo Horizonte - o governo foi defendido por ele durante a campanha, ainda que somente por oportunismo e hipocrisia, o que lhe garante a luminosa perspectiva de ser surrado inapelavelmente no segundo turno.

Dizem alguns estudiosos da psicologia que o corpo humano também tem uma linguagem. Independente das conclusões que a partir disso eles chegaram, realmente certas alterações corporais, físicas, orgânicas, podem ser interpretadas como sintomas psicológicos e, mesmo, psicopatológicos. Os psicopatas não estão, evidentemente, isentos dessa "linguagem corporal". Muito pelo contrário, são tão reprimidos que muitas vezes o que eles não parecem ter é psicologia - isto é, sentimentos e idéias - com ela se manifestando principalmente sob a forma de sintomas físicos muito característicos, e no mais das vezes muito óbvios.

SÎBORREAUX

Assim, Fernando Henrique não apareceu para a costumeira cena da votação na hora em que tinha combinado com a imprensa. Soube-se depois que ele estava com uma "indisposição gastrointestinal", termo mais ou menos técnico para o que o povo chama, precisamente, de caganeira.

Alguns áulicos do Planalto se apressaram a dizer que tal indisposição dos intestinos palacianos - quer dizer, das entranhas do poder tão celebradas pelo viril secretário Eduardo Jorge, muito entendido no assunto - deveu-se à ingestão de um alimento na véspera, na casa de amigos. Trata-se de mais uma vilania cometida contra gente inocente. Nenhum ingrediente do cardápio devorado pelo ingrato convidado poderia ter provocado tal desarranjo. Tanto assim que Dª Ruth também participou do morigerado ágape, e nem por isso faltou ao seu encontro com a urna, na hora aprazada.

Trata-se, sem dúvida alguma, de um estigma físico da psicopatia que acomete o elemento. As eleições não lhe fizeram bem. Ou, melhor, sua estrutura algo assemelhada a dos moluscos e demais invertebrados não suportou o aperto eleitoral. Não por acaso foram os intestinos os órgãos eleitos para se manifestarem pela pervertida psique do elemento. A psique sempre escolhe o órgão próprio para revelar o seu conteúdo. Isso é que é linguagem do corpo. Acontecimento que está longe de ser inédito: já nos tempos em que enrolava alguns alunos na Sorbonne, ele era conhecido como Fernand Sîborreaux.

CARLOS LOPES

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