|
Escroqueria das "pesquisas" rouba livremente no período da proibição das 48 horas O principal instrumento de manipulação e roubo da vontade popular, as "pesquisas", não conseguiu cumprir o seu objetivo - o de favorecer a canalha fernandista. Ainda que em vários casos, e principalmente em São Paulo, tenham conseguido impedir que a alternativa mais avançada fosse vitoriosa nas urnas, a derrota da quadrilha do Planalto foi possível porque nunca elas foram tão ignoradas por tanta gente, assim como nunca se expuseram tão sem disfarces. Os casos de Goiânia e do Rio (ver página ao lado) foram apenas os casos mais evidentes. Isso se deveu, evidentemente, à sua crescente desmoralização aos olhos dos eleitores - e também ao aumento de consciência de alguns institutos, que apesar de ainda insistirem na mesma metodologia viciada, desconfiam dela cada vez mais. INDUÇÃO Evidentemente, a proibição de campanha eleitoral nas 48 horas anteriores à eleição, só serve ao monopólio impune da fraude - isto é, enquanto os candidatos populares ficam proibidos de se dirigirem ao eleitorado, sobretudo através da televisão, a mídia governista e os escroques ao estilo do Montenegro do Ibope ficam à solta para induzir os eleitores e patrocinar seus protegidos sem nada que se lhes oponha. Razão tem o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, ao declarar no último domingo, quando foi votar, referindo-se às "pesquisas" alardeadas naquela manhã, que elas "não podem continuar do jeito que estão, pois influenciam o eleitor". Basta uma fabricação de uma diferença, por menor que seja, para conduzir o voto e atropelar a verdadeira preferência do eleitor. Aliás, basta apenas a fabricação de uma igualdade para que isso aconteça. O exemplo mais evidente é o de Tuma em São Paulo, que até 48 horas antes das eleições era considerado o segundo colocado, favorito para o segundo turno. Para que se induzissem eleitores que o preferiam e que estavam até então decididos a votar nele - mas que naturalmente não queriam sufragar um candidato supostamente sem chances de passar ao segundo turno -, no sábado e no domingo foram divulgadas "pesquisas" que o rebaixavam em apenas um ponto percentual, apesar de o manterem, na "margem de erro", formalmente como segundo, mas realmente em quarto. Essa "margem de erro" passa a ser a margem de segurança para o caso das urnas desmentirem completamente as "pesquisas". Em Goiânia e no Rio, a realidade mandou para o espaço a própria margem de vigarice. HISTERIA Mesmo assim, em relação a Tuma, as "pesquisas" não conseguiram o seu intento completamente. Colocado como candidato sem chances, o crescimento de sua candidatura fez com que o conto das "pesquisas" tivesse que recuar e colocá-lo como segundo durante a campanha, mais do que a contragosto. Até a véspera da eleição, Tuma era o favorito para o segundo turno. Nada conseguiu detê-lo. Por essa razão, tiveram que recorrer à vigarice do último momento. Mas a prova maior de que era ele quem estava no segundo turno é, exatamente, o resultado que conseguiu - se mesmo com as "pesquisas" do sábado e do domingo, que desviaram milhares de votos seus para outros candidatos, ele manteve a votação que conseguiu, é evidente que ela era muito maior antes da divulgação delas, particularmente a do Ibope, berrada histericamente por certas rádios e televisões. Toda a ação das "pesquisas" está, precisamente, em tentar impedir que o eleitor aja de acordo com o que sente e vê na campanha eleitoral. As campanhas eleitorais existem para que os eleitores decidam o seu voto, com base no conhecimento dos candidatos e de suas propostas. Exatamente por isso as "pesquisas" sempre começam antes, ou seja, quando não há campanha, quando não há oportunidade do conjunto dos candidatos se apresentarem ao eleitor - quando os únicos candidatos que aparecem são aqueles martelados por uma certa mídia. Nessa altura dos acontecimentos, antes da campanha, a pergunta "se a eleição fosse hoje em quem você votaria?" faz com que o pesquisado só possa responder designando os candidatos dessa certa mídia, uma vez que são os únicos que ele conhece, uma vez que não existe ainda campanha eleitoral para que ele possa conhecer os outros - na maioria das vezes são também os únicos candidatos que existem, já que os outros nem decidiram ainda ser candidatos. No entanto, a eleição não é "hoje" e sim depois da campanha eleitoral. O eleitor ainda vai ter contato com outros candidatos e poderá compará-los. Mas os resultados extraídos dessa forma - colocando o pesquisado diante de uma situação inteiramente artificial, onde os únicos candidatos são os pré-fabricados por essa certa mídia - são apresentados pela mesma mídia como se essa fosse a verdadeira preferência dos eleitores para o dia da eleição. A função das "pesquisas" após o começo da campanha eleitoral passa a ser o de impedir que o eleitor mude a sua suposta preferência. Ou seja, impedir que a campanha eleitoral cumpra a sua função de dar oportunidade ao eleitor para que se decida depois de conhecer todas as alternativas - pois é para isso ela existe. ESCROQUERIA Mais uma vez os candidatos dessa certa mídia são martelados - dessa vez furiosamente - e a pergunta viciada faz com que os pesquisados apontem "se a eleição fosse hoje", os candidatos que no momento - isto é, "hoje"- lhe vêm à memória imediata. O que não reflete, evidentemente, a preferência verdadeira. Mas assim se induz os eleitores a pensar que não adianta votar no seu preferido no dia da eleição. Os números das "pesquisas", obtidos com uma pergunta que é uma manipulação, submetido a fatores de correção para que a realidade se manifeste o mínimo possível e com amostragens que não refletem o conjunto do eleitorado, têm o objetivo de induzir o cidadão a pensar que só ele e mais uns poucos preferem aquele candidato. Portanto, votar nele é desperdiçar o voto. Para completar, as 48 horas anteriores à eleição, em que não há campanha, ou melhor, em que a única campanha permitida é a dessa certa mídia e a das "pesquisas", são o monopólio da escroqueria eleitoral. Rebaixa-se os candidatos que se quer fora, em relação aos que eles querem dentro - não é preciso rebaixar muito, pode ser pouco e o resto a "margem de erro" resolve, contanto que se conduza o eleitorado a pensar que a tendência é de crescimento de tal ou qual candidato ou de diminuição da falsa preferência de outros. Como dissemos, até uma falsa igualdade por servir a esse roubo. C.L. |
| Imprimir | Converse com Editor | |