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Sem-terra: Igreja condena diversionismo do governo

Os representantes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e do Conic (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) ficaram indignados com o desrespeito do governo às propostas de negociação das reivindicações dos trabalhadores sem-terra. O governo disse primeiramente que aceitava as propostas mediadas pela CNBB e depois voltou atrás, batendo pé nos juros altos.

"Quando o FMI (Fundo Monetário Internacional) faz pressão, o governo cede. Mas quando parte dos movimentos sociais, dos mais pobres, a pressão é considerada uma ameaça", denunciou o presidente do Conic, pastor Ervino Schimidt. "O diálogo foi muito bom, mas no ponto crucial (liberação de créditos) não houve avanço", acrescentou Dom Raymundo Damasceno, secretário-geral da CNBB.

Na reunião de domingo, para continuar enrolando os sem-terra e as entidades que estão intermediando as negociações, Fernando Henrique comprometeu-se com Dom Raymundo Damasceno e com o pastor Ervino Schimidt a apresentar uma nova proposta que pudesse ser aceita pelo MST. Em seguida voltou atrás, anunciando que só aceitaria liberar empréstimos pela linha A/C do crédito agrícola, que prevê juros de 4% ao ano, desconto fixo de R$ 200 e um bônus de R$ 40 se o pagamento for feito na data prevista. O MST reivindica os créditos pela linha A, com juros de 1,15% e desconto de 40% do valor do principal no ato do pagamento.

Redação

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