| CDHU tenta achacar mutirante em contrato
Se
recusam a dar cópia e tentam obrigar mutuário a assinar às pressas
E mais uma demonstração da
notória falta de compromisso com o povo, o conhecido instrumento e roubalheira tucana do
governo estadual paulista, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU),
está tentando obrigar pessoas que construíram suas casas em regime de mutirão há 11
anos, a assinar um documento sem ler, se comprometendo a pagar um valor absurdamente acima
do acordado na época, e sem poder contestar uma linha do documento, depois de terem se
passado sete anos sem que os mutirantes obtivessem do Estado a regularização de seus
contratos.
Em reuniões convocadas pela
Companhia para a assinatura do documento, os técnicos da CDHU fizeram questão de frisar
que "não é a intenção chamar as pessoas para um debate aberto sobre os contratos
da CDHU", na tentativa de esconder o documento tucano, que atende pela alcunha Termo
de Adesão e Ocupação Provisória com Opção de Compra. O Termo possui cláusulas
lesivas aos mutirantes como a que prevê a desocupação da casa em 20 dias desde que os
moradores não se encaixem nas condições exigidas pela CDHU para o financiamento, mesmo
tendo sido estes mesmos moradores que construíram as casas com o suor de suas mãos.
"Eles estão fazendo uma
coação com as pessoas dos mutirões, estão obrigando a gente a assinar um contrato no
escuro. Eles começaram a ameaçar a gente dizendo que se não assinássemos os contratos
o CDHU não se responsabilizaria mais pelos mutuários. Eles não estão permitindo que a
gente venha ler e estudar os contratos antes de assinar. Eu não quero assinar um contrato
sem saber o que está escrito", denunciou a mutirante Josefa Cristina Silva de
Oliveira, 36, moradora da Fazenda do Carmo.
"É interesse nosso regularizar
a situação, mas queremos ter um prazo para reunir todo mundo e discutir os contratos.
Nós esperamos sete anos, por que não mais quinze dias?", questionou a
vice-presidente Federação das Mulheres Paulistas, Ilda Fiori, durante a reunião com a
CDHU, que se realizou na última quarta-feira, às 18:00 horas, na sede da rua Dante
Pazanezze, no Ibirapuera.
De acordo com a liderança feminina,
"o pessoal do Mutirão Marechal Tito assinou esse documento e agora não está
conseguindo pagar, por causa das altas taxas de juros e das péssimas condições em que
foram fechados os contratos".
Ameaçando a população de baixa
renda (famílias com rendas de 1 a 3 salários mínimos) que faz parte do programasde
mutirão, os técnicos do CDHU foram evasivos durante a reunião que deveria esclarecer as
cláusulas do "termo provisório", deixando no ar questões como práticas e
essenciais garantia de posse das casas.
"Essa ameaça que eles estão
fazendo de que quem não têm o vínculo com a CDHU estaria descoberto, é mentira, porque
as pessoas construíram aquelas casas. Nós temos um contrato entre a CDHU e a Federação
que prova que os próprios mutirantes construíram suas casas, temos os nomes de todos
aqui. E a responsabilidades por esses sete anos sem vínculo é da CDHU e não do povo, a
Justiça nos garante isso. Nós iremos à Justiça com isso", garantiu Ilda Fiori.
Presente à reunião, a presidente
da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), Márcia Campos, denunciou que "a
CDHU, sem qualquer discussão, quer obrigar mutirantes, que construíram suas casas com
suas próprias mãos, a assinarem um contrato injusto de pagamento do financiamento. Nós
temos em mãos documentos da época em que foi assinado o contrato para a construção das
casas com todos os números e valores, e com estes contratos iremos contestar os valores
absurdos impostos pelo CDHU". Segundo Márcia Campos, "enquanto as famílias do
Conceição estão sendo obrigados a pagar quase R$ 20 mil à vista - em prestações sai
por quase R$ 40 mil -, outro mutirão, com igual metragem e projeto, que se localiza ao
lado foi avaliado em R$ 13 mil. Eles estão assaltando o povo mais uma vez".
MARIANA MOURA |