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Estado Palestino soberano está nascendo crismado pela sagrada ira popular

Alastra-se a Intifada heróica pela libertação de Jerusalém

Provocação do carniceiro de Sabra e Shatila foi o estopim da revolta

Toda a Cisjordânia e Gaza, e mais Jerusalém Oriental e as cidades de Israel de população árabe, estão conflagradas contra a provocação desatada pelo dirigente do Likud Ariel Sharon, que, acompanhado de mil soldados, invadiu a Esplanada das Mesquitas, local sagrado para os palestinos e todos os muçulmanos, no que pretendia ser uma demonstração do "direito sionista" de tomar para si, e eternamente, Jerusalém, cidade sagrada para três religiões e dois povos. A justa ira dos palestinos, diante da provocação e ofensa à sua fé, foi seguida de sangrenta e covarde represália por parte das tropas sob ordens do primeiro-ministro Barak, contra manifestantes desarmados. Ex-general, Sharon é o carniceiro de Sabra e Shatila, chacinas que patrocinou no Líbano nos anos 80.

Mais de 70 mortos e milhares de feridos, e o desmascaramento, perante o mundo inteiro, da essência da ocupação sionista, nas cenas do pai e seu filho, o menino de 12 anos, Mohamed Rami, que foi assassinado a sangue frio, a tiros de fuzil, por soldados israelenses. O pai tenta proteger seu menino, pede que não atirem, os covardes e histéricos apertam o gatilho, repetidamente. O menino é atingido mortalmente, o pai é ferido no braço com que tentava protegê-lo. Um pai desarmado e um menino indefeso.

APEDREJADOS

Com pedras, paus e coquetéis molotov o povo palestino encara os soldados de Barak. Pela Palestina, pela honra e fé, por Jerusalém liberta: nas ruas da Cisjordânia, Faixa de Gaza e nas cidades árabes de Israel. Em Nablus, guaritas e tanques israelenses foram apedrejados. No posto militar israelense em Netzarim, dezenas de jovens palestinos escalaram uma torre de observação, retiraram a bandeira de Israel e atiçaram fogo. Os israelenses bombardearam com mísseis prédios residenciais em Gaza, dispararam contra a estrada principal, e até contra hospitais de campanha. Do lado israelense, mal dá pra disfarçar o apavoramento: "tenho enfrentado tumultos desde 1987 e nunca vi nada como isso", afirmou o general Yisrael Yitzhak, veterano da repressão à Intifada.

Como uma faísca na pradaria seca, os crimes israelenses só fazem a revolta se espraiar. Um bebê de dois anos foi assassinado em Qursa. Um menino de 13 anos foi assassinado em ataque de helicóptero israelense contra um funeral de um policial palestino, que reunia 10 mil pessoas em Netzarim. Outro menino, de 15 anos, foi morto em Nablus. Na ONU, o representante palestino Al Kidwa denunciou a "violação manifesta de Israel" à Convenção de Genebra.

A chacina covarde que indignou o mundo: o pai de Mohamed tenta protegê-lo, pede que não disparem, mas os soldados israelenses atiram à queima-roupa, repetidamente, e assassinam o menino de 12 anos

Flagrado e exposto no mundo todo, o exército de Barak admitiu ter assassinado o menino. Mas como todo porco, a confissão é só para fugir da responsabilidade. Vice-chefe do estado maior disse que "visibilidade não era a de um polígono de tiro" e culpou a vítima "por estar em manifestação"

Redação

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