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Lula anuncia que este semestre será dedicado à retomada do desenvolvimento:

“O Estado vai investir o necessário para o país voltar a crescer”

“Pobre do governante, pobre do país, que acha que pode resolver os seus problemas econômicos apostando na venda de ativos ou na especulação financeira”, afirmou o presidente da República

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante a inauguração da nova linha de produção de celulose de eucalipto da empresa Votorantim Celulose e Papel, em Jacareí, interior de São Paulo, que o Brasil poderá ser num futuro bem próximo o principal fabricante de papel e celulose do mundo. “Esse é o papel do BNDES, esse é o compromisso do governo”, disse o presidente.

Em companhia do governador do Estado, Geraldo Alckmin, dos ministros da Fazenda, Antônio Palocci e da Indústria e Comércio, Luis Furlan, além de senadores, deputados, vereadores e prefeitos da região, Lula elogiou a inauguração da nova fábrica de Jacareí e disse que se “todos os empresários do país agissem como Antônio Ermírio de Morais, possivelmente o nosso PIB (Produto Interno Bruto), hoje, fosse o triplo do que ele é”. “Possivelmente”, prosseguiu Lula, “nós hoje estivéssemos em um padrão de desenvolvimento infinitamente maior”.

 DESENVOLVIMENTO 

Ele anunciou a entrega, ainda esse mês, ao Congresso Nacional, do Plano Plurianual de Desenvolvimento do governo onde, segundo Lula, as prioridades dos investimentos estarão nas grandes obras de infra-estrutura. “Este segundo semestre é o semestre que nós vamos dedicar, grande parte dele, para a retomada do desenvolvimento deste país”, frisou o presidente. “Nós vamos, com esses projetos na mão, procurar investidores brasileiros e estrangeiros para investir aqui”, ressaltou. “E como nós, no governo, estamos convencidos de que não é o dinheiro que faz o projeto, mas que é o bom projeto que faz o dinheiro, nós não temos dúvida que vamos, com esses projetos, fazer os investimentos que o Estado precisa fazer para poder motivar a iniciativa privada a fazer a sua parte”, afirmou o presidente.

 PATRIMÔNIO PÚBLICO 

Lula comentou e apoiou, durante seu discurso, as declarações feitas pelo empresário Antônio Ermírio de Morais à imprensa (veja matéria nesta página) sobre a atuação lesiva de alguns setores do capital estrangeiro no país. O empresário também falou sobre a política, classificada por ele como desastrosa, do governo tucano, de entrega aos estrangeiros do patrimônio público nacional, apontando particularmente para os problemas causados no setor elétrico. Antônio Ermírio chamou a atenção para o que ele chamou de “desastre” que “eles fizeram no setor elétrico”. “Vieram”, prosseguiu o empresário, “compraram nossas empresas com o nosso dinheiro e não pagaram o BNDES”. “Tenho esperança que agora eles venham para investir de verdade em projetos novos”, completou.

 ESPECULAÇÃO FINANCEIRA 

“Pobre do governante, pobre do país que acha que pode resolver os seus problemas econômicos apostando na venda de ativos ou na especulação financeira”, disse Lula referindo-se às denúncias feitas pelo acionista da nova fábrica de papel e celulose. O presidente acrescentou que “essa fala do Dr. Antônio Ermírio de Morais bate muito forte na cabeça de todos os brasileiros e brasileiras bem intencionados”.

 MERCADO INTERNO 

O presidente disse também que além de aumentar as exportações o país tem que investir na expansão do mercado interno como forma de garantir a melhoria da qualidade de vida das pessoas. “É importante que a gente tenha competência para aumentar as nossas exportações mas é importante que a gente tenha clareza que o nosso mercado interno precisa crescer e que não é incompatível exportar com crescimento interno”, frisou Lula. “É humanamente impossível nós imaginarmos que o país conseguirá se segurar por muito tempo apenas apostando nas exportações”, alertou. “Nós vamos continuar apostando, mas, ao mesmo tempo, eu tenho certeza de tanto o Palocci quanto o Furlan vão se preocupar a cada minuto do dia, em começar a recuperar o mercado interno”, acrescentou Lula. “A produção para o mercado interno significa muito também na geração de riqueza e na geração de qualidade de vida das pessoas”, completou.

 DESONERAR A PRODUÇÃO 

Lula falou ainda sobre a proposta de seu governo para a reforma tributária  “Achamos que ela será extraordinária para aqueles que produzem, para aqueles que exportam e para aqueles que criam empregos”, disse. “O projeto de política tributária que mandamos para o Congresso Nacional, assinado por mim e pelos 27 Governadores de Estado, significa desonerar a produção neste país e tornar esse país mais competitivo”, acrescentou o presidente. Ele disse que os problemas do governo federal, dos Estados e dos municípios “serão resolvidos na medida em que a economia volte a crescer”. “Na medida em que o governo volte a arrecadar e na medida em que a arrecadação seja por conta do crescimento econômico e não por conta da carga fiscal, como habitualmente se faz no Brasil”, finalizou o presidente.

Redação

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