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 Depoimentos de Mauch e Teresa Grossi não convencem senadores

O depoimento prestado por dois ex-diretores do Banco Central, Cláudio Mauch e Teresa Grossi, irritou os membros da CPI do Banestado - que investiga o esquema montado no banco paranaense para externar e lavar dinheiro – por terem sido extremamente evasivos, contraditórios e recheados de mentiras.

Mauch, que depôs no último dia 18, não respondeu a maioria das perguntas dos parlamentares e ao ser questionado sobre a omissão do BC na fiscalização das irregularidades – tarefa de sua responsabilidade e de Grossi – ele jogou a culpa para outro ex-diretor, Gustavo Franco, na época responsável pela área internacional do Banco Central. No entanto, sobre esse mesmo tema, Grossi, que depôs no dia 19, disse que a responsabilidade pela fiscalização dessas operações não cabia à diretoria de fiscalização e sim aos gerentes regionais do BC.

A falta de consistência e a constante amnésia que assolou os depoentes desagradou os parlamentares. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) expôs uma série de elementos demonstrando não só a responsabilidade dos depoentes na liberação geral do BC, mas também lembrou parte dos atos ilícitos praticados por Teresa Grossi no BC.

Simon lembrou que a CPI do Sistema Financeiro concluiu que houve responsabilidade de Tereza Grossi no prejuízo causado pelas operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, que também realizaram remessas ilegais via as contas CC5. Ou seja, ao mesmo tempo em que Grossi ajudou na liberação dos US$ 1,6 bilhão para os dois bancos, ela fechou os olhos para as remessas ilegais feitas por ambos.

“O que encontramos [o esquema de lavagem de dinheiro] continuou, piorou, foi levado adiante. Parece que o Banco Central é a Torre de Babel. Cada um fala a sua língua. Todos se defenderam como se os setores não se comunicassem. Ninguém se preocupa com a organização - afirmou Simon.

Na avaliação do deputado José Carlos Martinez (PTB-PR), o depoimento do ex-diretor se transformou em “uma zombaria para com o Congresso”. “O sujeito vir aqui dizer que não viu e que não se lembra é zombar dos parlamentares”, disse.

A deputada Irini Lopes (PT-ES), relatora substituta da CPI, considera que houve omissão do BC no controle das operações financeiras das instituições que operavam com contas CC-5, permitindo a lavagem de dinheiro e a evasão de bilhões de dólares do país. Ao final da reunião da CPI na qual foi ouvida Tereza Grossi, Irini ressaltou que a depoente não a convenceu e que foi bastante evasiva.

Redação

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