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Terroristas de Bush explodem Acuada, quadrilha petroleira ianque tenta, com seu crime, extorquir apoio, tropas e dinheiro para sua combalida invasão. Além da missão da ONU, explodida a embaixada da Jordânia e adutora O atentado contra a
missão da ONU em Bagdá, na terça-feira, levanta imediatamente a questão: a quem
interessa a ação? À Resistência
Iraquiana é que não pode ser. O site árabe de notícias Islam Online,
por sinal, relata que a Resistência Iraquiana emitiu uma declaração condenando o ato, e
afirmando que tanto o ataque aos escritórios da ONU quanto à embaixada da Jordânia nada
têm a ver com ela. Realmente: para que a
Resistência iraquiana iria explodir a missão da ONU instituição que, inclusive,
em que pese suas falhas, se recusou a servir de fachada para a agressão de Bush? Para que
Bush use a ação para tentar fazer com que os países que se recusaram a ser seus
cúmplices o salvem do desastre no Iraque, botando tropas para morrer no lugar dos
americanos? Para que os chupa-tintas do imperialismo usem o atentado para fazer campanha
contra a Resistência? Alguns dias antes, um
dos aquedutos construídos pelo governo iraquiano foi sabotado. Toda a parte de Bagdá que
fica na margem direita do rio Tigre ficou sem água. Segundo os invasores, foram os
partidários de Sadam. Em suma, segundo eles, Sadam, em vez de liquidar com os
invasores coisa em que até agora foi de uma eficiência rigorosa patrocinou
uma ação para deixar sem água o seu povo, o povo de sua capital, o povo que o apóia,
que o tem por líder, que é a base da resistência que chefia, e que é a principal
reserva do seu partido. E danificando uma das obras que o fez tão estimado pelo povo. Semanas antes, foi o
atentado á embaixada da Jordânia, dois ou três dias depois do governo deste país ter
recebido as filhas de Sadam. Segundo os mesmos
invasores, os iraquianos leais a Sadam teriam promovido um atentado com
17 mortos, todos árabes contra o país que recebeu as filhas do seu líder. Os
atacantes gritavam vivas à revolução, cuspiam em retratos do rei Abdullah e
de seu pai, o rei Hussein com o qual Sadam tinha boas relações - e mais outras
idiotices, com o objetivo óbvio de se fazer passar por membros da Resistência. Esta,
evidentemente, não precisa disso para ser reconhecida, não perde tempo com encenações,
e muito menos prefere atacar os amigos, em vez dos inimigos. Mas os perpetradores do
atentado à embaixada jordaniana tiveram tempo para tudo isso: as tropas americanas
chegaram à embaixada quatro horas depois do atentado. Quanto à missão da
ONU, seria esperável que o comando americano atribuísse uma tal ação, como fez com as
outras, a seu inimigo, o líder do Iraque e da Resistência, o presidente Sadam.
Sintomaticamente, não o fizeram. Era escandaloso demais. O comando ianque preferiu
atribuir a explosão do Hotel Canal a um grupo da Al Qaeda. Isso depois de, apenas três
dias antes, ter atribuído literalmente todas as ações aos partidários leais a
Sadam. Realmente, é o partido Baas do Iraque, do presidente Sadam, quem leva a cabo
a guerra contra o invasor. Quem mais seria? Mas,
se o inimigo dos ianques é Sadam, como é que agora, e tão rapidamente, eles descobriram
que quem destruiu a missão da ONU foi a Al Qaeda? E com que fundamento? Com base em que
indício? Absolutamente nenhum. Até porque, quem está lutando no Iraque não é a Al
Qaeda que nunca teve base nenhuma no país, como hoje até a imprensa americana
reconhece. Quem quer lutar no Iraque não precisa procurar Bin Laden, que nem iraquiano
é, e a Al Qaeda, que nunca existiu por lá. Ademais, que condições teria a Al Qaeda,
sem nenhum ponto de apoio no país, para organizar um atentado desses? No entanto, foi isso o
que disseram menos de uma hora depois da explosão. Aliás, disseram mais: que o atentado
tinha sido um ataque suicida, sem que nenhum suicida tivesse sido
identificado, nem nenhum corpo tivesse sido encontrado que justificasse tal conclusão. Como eles sabem que
não foi Sadam? Se ele é o seu inimigo, porque não atribuíram o atentado a ele? Se não foi Sadam,
resta apenas uma hipótese: os invasores. Não há mais ninguém no Iraque com capacidade
de organizar uma ação dessas proporções, com acesso a esse tipo de material explosivo,
com esse, digamos, profissiona-lismo. À propósito, onde estavam os soldados americanos
nessa hora? Pois, apesar da missão estar no Hotel Canal desde 1991, apesar de um
Comissário da ONU ter escritório no local, e apesar do prédio ficar no centro de
Bagdá, não havia um só soldado americano por perto. E a Resistência não tem feito
ações armadas no centro de Bagdá ou outros lugares onde o inimigo é mais forte. Se os invasores
estivessem inocentes, não seria absolutamente óbvio a quem eles atribuiriam o atentado?
É claro que sim, até por falta de alternativas. Se não soubessem quem foi, mas
soubessem que estavam inocentes, não seria lógico, evidente, óbvio, que seria a Sadam
que atribuiriam a ação, principalmente na primeira hora após o atentado? No entanto, quando
ainda o estrondo da explosão nem havia baixado de volume, apareceram com a história da
Al Qaeda. Sabiam que atribuir à Resistência o atentado como diz a expressão
popular - não ia colar. Mas, no caso, essa preocupação só ocorre a quem precisa colar
algo para esconder o que fez. É verdade que Sadam
assume o que faz. É verdade que é fácil para as pessoas perceberem que não interessa
à Resistência explodir a missão da ONU, matar um brasileiro país com o qual o
Iraque sempre teve uma relação especial, e que se opôs, através do governo Lula, à
agressão, liderando a América Latina e mais 16 pessoas que não eram invasores. No entanto, exatamente
por isso, se Sadam assumisse a ação, é claro que ninguém teria dúvidas a respeito. E
seria, precisamente, o que Sadam e a Resistência fariam, se a tivessem realizado. Como,
então, o comando ianque sabia que isso não iria acontecer? Porque sabia quem tinha sido
o autor do atentado. Para isso, existem nos
EUA 29 agências de terrorismo, além da mais notória, a CIA, que tem, oficialmente,
1.500 capangas no Iraque. As operações encobertas são há décadas uma
rotina dos instrumentos da casta dominante ianque. Nós, latino-americanos, vimos isso
praticamente em todos os países do continente. Foi assim no Irã para derrubar o
primeiro-ministro Mossadegh, que tinha nacionalizado o petróleo. Faz-se operações
encobertas para atribuir a outros os crimes cometidos. Exatamente como os nazistas fizeram
no incêndio do Reichstag e na invasão da Polônia onde vestiram prisioneiros
assassinados com uniformes poloneses, para simular a agressão que eram eles que estavam
cometendo. Uma das mais famosas obras do século XX, Um Americano Tranqüilo,
de Graham Greene, é exatamente o relato de uma operação encoberta no
Vietnã, para jogar o povo contra os que lutavam pela independência e pela liberdade. Nada disso é inédito.
Aliás, a comunidade terrorista ianque já matou um presidente do seu próprio país
e Kennedy queria apenas limitá-los um pouco. Por que não fariam a mesma coisa com
funcionários da ONU, apesar deles se portarem de forma até servil em relação a eles?
Afinal o apreço que eles têm pela ONU ficou demonstrado no próprio caso do Iraque. Por
que agora, que eles estão querendo desesperadamente que outros se atolem em seu lugar,
hesitariam em explodir a missão da ONU no Iraque? CARLOS LOPES
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