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Novo museu para as obras de Aleijadinho

O museu será um Centro de Estudos do Barroco e da Pedra e está sendo projetado para a possibilidade de abrigar os 12 profetas de Aleijadinho que, expostos ao tempo, sofrem acelerada deterioração

a última terça-feira, dia 16, foi lançada pelo ministro da Cultura Gilberto Gil a pedra fundamental do novo Museu Aleijadinho, em Congonhas do Campo, Minas Gerais, que abrigará obras de Aleijadinho, um Centro de Estudos do Barroco e da Pedra, um Museu do Ex-Voto e um Centro de Arte Contemporânea. O museu já está sendo projetado também para a possibilidade de abrigar os 12 profetas de Aleijadinho esculpidos em pedra-sabão (declarados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e que completará dois séculos em 2005), que sofrem deterioração acelerada ao ar livre.

 RÉPLICAS 

A discussão sobre a remoção das peças originais monumentais para um local seguro e climatizado, e a colocação de réplicas onde elas se encontram atualmente - como foi feito com o Davi, de Michelangelo, na Itália -, tem gerado muita polêmica, embora esta seja a posição defendida pelo governo federal, pelo prefeito da cidade e por técnicos em conservação artística, com a argumentação de que sofrendo a ação do tempo as imagens não resistiriam por mais 50 anos. Ao que parece, as opiniões contrárias, principalmente entre os moradores de Congonhas do Campo e a igreja, são de cunho mais romântico, de apego natural às obras-primas que já fazem parte da sua vida. Segundo Marcelo Carvalho Ferraz, coordenador do programa Monumenta, as réplicas serão construídas com altíssimo padrão tecnológico, mas a decisão final sobre se serão as originais ou as réplicas que ficarão no museu ”será técnica”.    

 PROJETO 

O projeto é do arquiteto português Álvaro Siza (premiado na Bienal de Veneza pelo projeto do Museu Iberê Camargo, em Porto Alegre) e a curadoria do museu será do artista plástico Emanuel Araújo, ex- curador da Pinacoteca de São Paulo. O Museu será instalado num terreno em declive ao lado do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, onde hoje estão os 12 profetas posicionados no adro da igreja.

Os 12 profetas, o maior conjunto estatuário barroco do mundo, esculpidos entre 1800 e 1805, quando Aleijadinho já se encontrava muito doente, é considerado a obra-prima mais espetacular do artista, não apenas pelas dimensões, a expressividade e força que emanam, mas pelo significado defendido por vários pesquisadores, que acreditam serem eles a representação dos inconfidentes e seu líder Tiradentes.

Como explica a pesquisadora Isolde Venturelli, ao esculpir os 12 profetas, Aleijadinho retratou os principais envolvidos na Inconfidência Mineira. Aleijadinho, segundo Isolde, “sob a repressão da Coroa, teria utilizado o subterfúgio da alegoria para imortalizar os homens que mudaram os rumos da história do Brasil”. Os profetas são os conjurados, por indícios da pesquisadora. Esta idéia surgiu quando fez uma viagem e ao observar o profeta Jonas, Isolde percebeu que, em relação ao seu corpo, a cabeça do profeta está pendida, indicando um sacrifício. A partir desta percepção Isolde começou a pesquisar e a comparar características dos principais inconfidentes e os profetas representados, incluindo os dizeres em latim esculpidos nas estátuas, que deveriam, a rigor, ser transcrições fiéis de seus versículos bíblicos, mas que, segunda ela, isso não ocorre sempre, mas tem adaptações que identificariam os personagens históricos. Para a pesquisadora o tema da República estava acesso em Aleijadinho: “O que teria levado Mestre Antônio a enfrentar, já no fim da vida, idoso e mutilado, tarefa tão árdua, não solicitada e mal paga?”, pergunta Isolde, lembrando que Aleijadinho esculpiu os profetas em 5 anos “desafiando enormes blocos de pedra-sabão com cinzéis que lhe eram amarrados nos pulsos por escravos e recebeu em pagamento quatrocentas oitavas de ouro, preço abaixo do que recebeu por trabalhos anteriores”.   

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