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 Manfrini, um filho que deu certo

ARIOVALDO IZAC *

Um slogan de um antigo comercial ensina que “não basta ser pai, tem que participar”. Só que no futebol tem pais que extrapolam. Além do sagrado dever de incentivar a “cria”, dão palpites onde não são chamados e essa indevida intromissão até prejudica a carreira do atleta.

Um dos incontáveis exemplos, no final da década de 60, foi Antonio Monfrini Neto, conhecido como Manfrini, que estava subindo para a equipe principal da Ponte Preta. O pai Monfrini, um empresário de indústria gráfica no bairro da Mooca, em São Paulo, não perdia um jogo sequer do filho, e ai de quem achasse defeito no futebol do garoto! Italiano de sangue quente, ele se revoltava com críticas, contra-argumentava no grito e entrava em rota de colisão com torcedores, nas sociais do Estádio Moisés Lucarelli.

Um belo dia, o “velho” Monfrini tomou uma decisão radical, para evitar bate-boca com pontepretanos: continuaria indo ao estádio, mas ficaria do lado de fora. Assim, passou a acompanhar as transmissões dos jogos pelo rádio, em seu automóvel, e depois levava o filho para São Paulo. Manfrini, um meia que se firmou como centroavante em 1970, sofria calado e respondia aos descrentes com tremenda velocidade de raciocínio para definir jogadas e gols em abundância. O ex-jogador não tem 1,75m de altura, mas se posicionava bem, tinha boa impulsão e fazia gols de cabeça.

Outra virtude era pegar muito bem na bola de média distância, quer com a perna direita, quer com a canhota. Ao constatar essas qualidades, o Fluminense trouxe, em Campinas, um “caminhão de dinheiro”, em 1973, e o levou ao Rio de Janeiro.

Nas Laranjeiras, cercado de “cobras”, Manfrini atingiu o auge da carreira. Foi artilheiro do Campeonato Carioca logo na primeira temporada, com 13 gols, um deles na vitória inesquecível sobre o Flamengo, por 4 a 2, no jogo do título, sob chuva torrencial no Estádio Maracanã. Manfrine foi, de fato, o procurado substituto do lendário atacante Samarone, e por isso não escondeu a frustração por não ter sido convocado pelo técnico Zagallo, para a Seleção Brasileira, à Copa do Mundo da Alemanha.

Manfra, como ainda é identificado pelos colegas, jogou, no time “pó-de-arroz”, ao lado de velocista Gil Búfalo, um ponteiro-direiro driblador, que fechava em diagonal, definia jogadas, e hoje é instrutor de escolinha de futebol para crianças em Várzea Grande (MT).

Foi companheiro, também, do meia Rivelino, comentarista esportivo, e do volante Carlos Alberto Pintinho, um bem sucedido empresário de futebol na Espanha, que na época usava cabelos black-power. Aquela leva conduziu o Flu ao tricampeonato do Estado do Rio de Janeiro, naquela década. Manfra teve rápida passagem pelo Palmeiras, vestiu a camisa do Botafogo (RJ) e encerrou a carreira no Juventus, em 1980. Hoje, gordo e calvo, radicado em São Paulo, administra os negócios da família, entre eles no ramo gráfico. E como continua bem relacionado com os amigos da bola, de certo será “bombardeado” de cumprimentos no dia 23 de junho, quando completa 53 anos de vida. E convenhamos: merece.

* Jornalista, é colaborador do HP em Campinas. 

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