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Presidente argentino Néstor Kirchner ao diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Horst Köhler: O
FMI é grande responsável pela Vocês exibiram Menem como o aluno prodígio de um modelo econômico que na Argentina significou uma enorme concentração econômica e representou a maior exclusão social da história, ressaltou O FMI é grande
responsável do que ocorreu na Argentina. Vocês passearam com Menem pelo mundo
mostrando-o como um exemplo. Menem foi exibido como o aluno prodígio de um modelo
econômico que na Argentina significou uma enorme concentração econômica e representou
a maior exclusão social da história até acabar na quebra institucional do país,
afirmou o presidente argentino Néstor Kirchner ao diretor-gerente do Fundo Monetário
Internacional, Horst Köhler, em Buenos Aires, na segunda-feira, dia 23 último. O presidente, segundo
relatou o chefe de Gabinete, Alberto Fernández, estabeleceu 5 princípios para nortear a
negociação, durante o jantar na residência de Olivos em que foi apresentado ao
economista alemão. A Argentina avançará em torno de um modelo de desenvolvimento
e crescimento. A base que dirige o nosso governo é a sustentabilidade interna de nosso
plano econômico. Não vou fazer nada que traia as minhas convicções. Não vou assinar
nada que não possa cumprir. Não estou disposto a dar saltos no vazio, frisou
Kirchner. A missão do Fundo que
contou, além do diretor-gerente, com o chefe do Departamento para o Hemisfério
Ocidental, Anoop Singh, e pelo representante permanente do organismo na Argentina, John
Dodsworth, percebeu in-loco as mudanças ocorridas no país. Você seguramente não
esperava sentar-se esta noite com este presidente, comentou no início do pouco
protocolar jantar o líder argentino, segundo Martín Granovsky, do jornal Página 12.
Kirchner se referia ao apoio não disfarçado que o organismo financeiro deu à
candidatura do fujão Carlos Menem durante a recente eleição. Logo que chegou,
Köhler, na atitude de rotina dos funcionários do FMI, tinha listado as medidas que
deveriam ser cumpridas por Buenos Aires numa reunião, ocorrida na tarde de
segunda-feira, com a equipe econômica chefiada pelo ministro Roberto Lavagna, e que
mereceram a firme resposta do presidente. O diretor-gerente
exigiu aprofundar o ajuste fiscal para que o superávit (maiores ingressos que
gastos) em 2004 seja equivalente a 3,5% do Produto Interno Bruto, ou seja, um ponto acima
do acordado para este ano, que é 2,5%, apontou um funcionário de primeiro escalão
do governo ao jornal Clarín. Kirchner, como já tinha prometido em sua campanha
eleitoral, disse a Köhler que não haverá mais ajustes. Apesar de haver asfixiado a
economia argentina com essa receita, o FMI pretende que os parcos recursos que existem no
país e que o governo planeja aplicar no desenvolvimento, em forma de créditos à
produção, criação de obras e empregos, sejam destinados ao pagamento da dívida. Uma reforma
jurídica e institucional para que a Argentina ganhe a reputação necessária para atrair
investimentos estrangeiros. Neste ponto, o chefe do FMI reclama um aumento de
tarifas para os serviços públicos prestados a um preço já astronômico pelas empresas
priva-tizadas, e defendeu a manutenção e aprimoramento da autonomia do Banco
Central. Argentina tem que seguir certas regras de jogo em seu caráter de membro
normal da comunidade internacional, disse Köhler. O ministro Lavagna esclareceu
logo a seguir que essa discussão era vencida no seio do governo porque uma das primeiras
decisões de Kirchner foi, num prazo de 90 dias, analisar as tarifas, a qualidade e a
reavaliação das concessões. Até lá não haveria nenhum reajuste. No segundo encontro
mantido entre o presidente Kirchner e o diretor-gerente Köhler, na terça-feira, dia 24,
o líder argentino reafirmou que a única possibilidade de encarar um processo de
negociação supõe garantir o desenvolvimento da economia nacional. Me impressionou
muito especialmente o presidente, quem desde já tem uma visão das coisas. Me parece que
deveria implementar essa visão, que levará o país a um forte crescimento e à coesão
social, afinou Horst Köhler em coletiva de imprensa, no encerramento da visita ao
país, na tarde de dia 24. Fora Köhler e o FMI, era a palavra de ordem dos manifestantes que ocuparam a frente do hotel Sheraton em Buenos Aires para rechaçar a presença do Fundo. SUSANA SANTOS
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