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E o jongo chega ao palco... Trazido
pelos ma das mais importantes
manifestações da cultura afro-brasileira, o jongo, preservado com todos os seus ritos e
sua força rítmica pelo Grupo Cultural Jongo da Serrinha, chega finalmente aos palcos,
mais precisamente o palco do Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, em temporada até o
final de julho. O espetáculo mostra
toda a história do ritmo e da dança que teve suas origens nas regiões africanas do
Congo e de Angola, de onde vieram os primeiros escravos trazidos para o Brasil para
trabalhar nas fazendas de café do Vale do Paraíba. Com o fim da escravidão, os negros
migraram para os morros do Rio de Janeiro, formando as primeiras favelas. O Grupo Cultural Jongo
da Serrinha divulga essa tradição com a produção de espetáculos de música e de
dança de altíssima qualidade com artistas tradicionais da própria comunidade da
Serrinha. Suas atividades vêm fazendo crescer o potencial artístico do jongo, mantendo
as tradições de ações sociais e culturais desenvolvidas desde o início pelas
famílias de escravos que viviam na região, atualmente Morro da Serrinha, no bairro de
Madureira, no Rio. Antigamente, só os
mais velhos podiam entrar na roda do jongo. Os jovens ficavam só olhando. Os antigos eram
muito severos com os mais novos e exigiam muita dedicação e respeito para ensinar os
segredos do jongo. Alguns dos jongueiros eram verdadeiros poetas que se desafiavam nas
rodas de jongo para disputar a sabedoria. O jongo é uma dança de ancestrais, dos
pretos-velhos escravos. Hoje, até por conta de manter viva a tradição, a presença dos
mais novos é marcante na atividade, como no espetáculo em cartaz, que traz a
participação de 50 jovens e crianças da comunidade. A apresentação do
grupo no Teatro Carlos Gomes é dividida em três partes: a primeira mostra somente o
jongo, com músicas de Wilson Moreira, Martinho da Vila, Darcy Monteiro e Vovó Maria
Joana. Tia Maria do Jongo, irmã de Tia Eulália e de Molequinho (fundadores da Escola de
Samba Império Serrano), Darly, Lazir e Luiza, além de Marcos André
coordenador-geral do grupo e Luciane Menezes, interpretam os cantos que nos levam
aos tempos da escravidão. Na segunda parte, vissungos (ritmo parecido com o jongo cantado
pelos mineradores), jongos primitivos e lundus. Neste momento os tambores têm um peso
maior, quando aparece o tambu, instrumento criado por mestre Darcy Monteiro (o saudoso
Darcy do Jongo), que corta os outros dois tambores - o candongueiro, de timbre mais agudo,
e o caxambu, mais grave. O Darcy, que
viajou por muitos lugares como percussionista e crooner, reparou que tanto no candomblé
como no tambor de crioula maranhense haviam a presença desse instrumento, conta
Marcos André, que acompanhou Darcy até seus últimos dias de vida. Marcos André explica
que, a arte é a forma que conhecemos de transformação. Mais do que crianças que
integram um projeto social, estamos dando condições para que eles tenham uma profissão.
Muitos dos garotos estão tocando em bares da Lapa, formando grupos de samba e, o
principal, resgatando uma história bonita que é a de uma comunidade que sempre foi
movida pela arte e pela paz. A terceira parte do
espetáculo é especialmente com sambas compostos na Serrinha. Para muitos, o jongo é o
pai do samba, não só por seus versos de formas livres que influenciaram o partido-alto,
mas pela dança, já que umbigada em quimbundo chama-se semba, matriz da
expressão samba. O jongo foi a escola de todos os grandes compositores dos primeiros
momentos da Império Serrano, fundada em 1947, como Silas de Oliveira, Aniceto,
Molequinho, Tio Hélio (ainda vivo) e Nilton Campolino. Os sambas apresentados são os
Meninos de 47, Lenda das Sereias e Aquarela Brasileira, encerrando o show. Vale registrar, que no
desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro do ano que vem, em comemoração aos 20
anos do Sambódromo, as escolas poderão escolher um samba-enredo que já foi para a
Avenida, e a Império Serrano desfilará exatamente com o enredo Aquarela do
Brasil. Grupo Cultural Jongo da
Serrinha: Teatro Carlos Gomes, Praça Tiradentes, Centro, RJ. Mês de julho. De segunda a
quarta-feira, às 19h30. Redação
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