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Jaques Wagner na CENTRAL: nós queremos é aperfeiçoar a
CLT Quando
a CLT foi lançada vigorava a lei da selva e nós não queremos que volte a lei da
selva, afirmou o ministro do Trabalho na Central Geral dos Trabalhadores do Brasil Precisamos
desenvolver o País com geração de massa salarial e emprego e não podemos criar emprego
apenas com a idéia de precarização da legislação, afirmou o ministro do
Trabalho, Jaques Wagner, em encontro com sindicalistas na Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CENTRAL), no último dia 8, em São Paulo, para debater as reformas trabalhista
e sindical, tributária e previdenciária. Queremos sim que a reforma reflita o
amadurecimento da relação capital e trabalho e não pode ter como objetivo baratear a
mão-de-obra que já é mal remunerado, sublinhou o ministro. Jaques Wagner destacou que reformar a CLT não significa que a gente queira retirar os direitos básicos dos trabalhadores, mas sim aperfeiçoá-la. Até porque quando a CLT foi lançada foi um instrumento de inclusão social, numa época em que vigorava a lei da selva e nós não queremos que volte a lei da selva. O ministro do trabalho
lembrou também que o movimento sindical deve se responsabilizar não só com os
trabalhadores com registro em carteira, mas também com aqueles que vivem do chamado
trabalho informal. A lógica do Fórum Nacional do Trabalho é a lógica da
inclusão social. Temos no mundo da informalidade 40 milhões de brasileiros e precisamos
atraí-los para o mundo da legalidade para que possam ter proteção social,
ressalvou. O presidente da
CENTRAL, Antônio Neto, destacou que nós somos a favor das mudanças propostas pelo
presidente Lula e temos feito propostas para essas mudanças no Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social, no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional e,
da mesma maneira, faremos no Fórum Nacional do Trabalho. O sindicalista
considerou que dentre as reformas a prioridade deve ser a tributária, que vai desonerar a
produção, abrindo caminho para a geração de empregos, o grande desafio de Lula de
inclusão social, ao lado do combate à fome e ao analfabetismo. Com relação à
reforma da Previdência, nós sugerimos o aumento do teto de R$ 2.400,00 para R$ 4.800,00.
Com isso, haveria um aumento no volume da arrecadação reforçando o caixa. Na
previdência dos servidores públicos, propomos a criação de um Fundo Nacional de
Previdência compensatório para estados e municípios e que seja gerido quadripartite
para que não vá para a especulação financeira, ponderou Neto. Jaques Wagner relatou
que o objetivo do presidente Lula é que a Previdência não vire pó. Hoje a
Previdência pública está assaltada e com certeza na lista dos culpados não estão os
servidores públicos e que na reforma tributária o principal é desonerar a
folha de pagamento, pois assim vamos ter mais empregos como muito bem lembrou o
Neto. É claro que
para gerarmos os milhões de empregos necessários é preciso haver crescimento econômico
de 4, 4,5% ao ano. Contudo, com o alto índice de desemprego é preciso colocar nosso olho
em um segmento que é a juventude, muitas vezes utilizada como mão-de-obra pelo crime
organizado. Por isso é preciso qualificar o jovem, melhorar o nível de
escolaridade, ressaltou o ministro do Trabalho. Neto defendeu o
princípio da representação sindical única, o que dá força aos trabalhadores, assim
como a contribuição compulsória, que garante a efetiva independência das entidades
sindicais em relação aos patrões e ao governo. Somos favoráveis à estrutura
sindical confederativa, com base mínima no município, disse Neto. Ao contrário do que
papagueiam alguns ingênuos, a unicidade sindical instituída por Getúlio Vargas não tem
nada a ver com a Carta del Lavoro (fascista). Essa diluía os trabalhadores juntos com os
patrões, deixando os trabalhadores sem representatividade e submissos à estrutura
patronal. A estrutura confederativa brasileira não. Dotou os trabalhadores de
representação própria, independente de patrão e governo, mostrando ao longo dos anos a
força do trabalhador brasileiro. Como disse o jurista Augusto Sussekind, a estrutura
sindical brasileira foi criada em princípios socialistas. Neto demonstrou
também que pulverização sindical em diversos sindicatos por empresa enfraquece a luta
dos trabalhadores e favorece o patronato: Quem tem várias representações acaba
não tendo nenhuma, frisou. De onde se conclui que, ao fim e ao cabo, isso sim se
aproxima do significado da Carta del Lavoro, pois ambas as formas deixam os trabalhadores
sem representação e à mercê dos patrões, que poderiam exercer seu poder de pressão e
criar sindicatos de fachada e negociar apenas com esses
sindicatos. Para o ministro do
Trabalho, Jaques Wagner, a reforma sindical visa fortalecer a representação dos
trabalhadores e empresários. Por isso, o modelo de representação sindical vai ser fruto
do debate entre capital e trabalho no âmbito do Fórum Nacional do Trabalho. O ministro defendeu
que a organização e o financiamento das entidades sindicais devam ser feitos com base na
representatividade, refletindo os interesses dos trabalhadores: Assim como eu
defendo que o financiamento das campanhas dos partidos políticos têm que ser público,
eu acho também que o financiamento das entidades sindicais também tem que ser público,
vinculado à representatividade real e não cartorial das entidades, disse. Para dar mais
representatividade ao movimento sindical, Neto propôs a universalização das eleições
sindicais, organizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a exemplo do já que ocorre
em países como a Venezuela. Se toda categoria contribui financeiramente para a
entidade, então é justo que todos votem nas eleições de seu sindicato e não apenas os
associados, sublinhou Neto. A CENTRAL propôs a
volta do Conselho Nacional do Conselho de Seguridade Social, a criação de uma
Secretaria Especial de Cooperativas, no âmbito do Ministério do Trabalho, e o cruzamento
de informações do SUS com as do Ministério para efeito de aposentadoria por invalidez. No final, o ministro
Jaques Wagner foi homenageado por Neto com a medalha Getúlio Vargas instituída pela
CENTRAL, por seu compromisso e a sua história de luta em prol da classe
operária. VALDO
ALBUQUERQUE
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