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Lula e Kirchner: antes da Alca, tratar do Mercosul Lula
é um presidente muito consciente dos problemas estratégicos da região, declarou o
candidato argentino O preidente Luiz
Inácio Lula da Silva recebeu a visita do candidato favorito na disputa pela presidência
da Argentina, Néstor Kirchner, em encontro que durou cerca de uma hora no Palácio do
Planalto, na última quinta-feira, e contou com a presença dos ministros Antônio Palocci
(Fazenda), José Dirceu (Casa Civil) e do ministro interino das Relações Exteriores,
Samuel Pinheiro Guimarães. O candidato presidencial argentino estava acompanhado do atual
ministro da Economia, Roberto Lavagna, já convidado por ele a permanecer no posto caso
vença as eleições, além do embaixador da Argentina no Brasil, Juan José Uranga. MERCOSUL Em entrevista coletiva
após a reunião, o porta-voz da Presidência da República, André Singer, relatou que o
encontro possibilitou uma útil troca de idéias sobre temas comuns e de interesse
dos dois países. O presidente Lula e o governador Kirchner estiveram de
acordo sobre a necessidade de fortalecer o Mercosul, especialmente na sua vertente
política. Ambos concordaram que, assim, se abriria caminho para um maior aprofundamento
dos vínculos comerciais e econômicos entre os dois países. Houve também concordância
em que o Mercosul deve procurar a aproximação dos outros países da América do Sul, de
modo a estabelecer uma base comum mais forte, a partir da qual negociar com o resto do
mundo, disse o porta-voz. Ao sair do encontro,
Néstor Kirchner afirmou que Lula é um presidente muito consciente dos problemas
estratégicos da região. Temos a mesma visão do mundo e da região,
acrescentou o presidenciável, ressaltando ter a mesma sintonia do presidente
brasileiro sobre a necessidade de aprofundar e fortalecer o Mercosul e a integração do
bloco com os demais países da América do Sul. Temos a visão do não-alinhamento
automático e também de não termos relações carnais, assinalou, numa referência
irônica ao seu adversário na disputa pela presidência, Carlos Menem, que aplicou
durante seu governo uma política submissa e defendeu ter relações carnais
com os Estados Unidos. No Mercosul, eu diria que teremos relações solidárias e de
integração para acabarmos com a exclusão social e a fome na região. Não vamos fazer
como alguns que, no passado, deixaram suas convicções na porta de entrada da Casa
Rosada, continuou. APOIO Néstor Kirchner
destacou que o apoio de Lula à Argentina é fundamental e importante para a
região e que é uma prioridade para os dois países a resolução de pendências
comerciais que impedem uma integração melhor dentro do Mercosul. Quanto à Alca,
veremos no momento oportuno se a levamos ou não adiante, acrescentou, em sintonia
com a posição do governo brasileiro de dar preferência à busca de uma integração
maior da região antes de discutir a Alca. Vamos trabalhar para consolidar o
Mercosul. Estamos priorizando a construção de uma estratégia de reconstrução do
Mercosul com integração econômica, política e institucional, reforçou o
argentino. O candidato argentino
fez questão de elogiar o presidente brasileiro, enfatizando que leva uma impressão
muito boa de Lula, com quem disse compartilhar a mesma visão para os problemas
sociais e no combate à corrupção. Me dá muita força encontrar um presidente que
tenha uma visão de mundo como o Lula, frisou Néstor Kirchner. Redação
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