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Sempre os porquês *
MARIA TEREZA DE Inúmeros leitores
têm perguntado a respeito do uso graficamente correto dos porquês brasileiros, já
tratados nesta coluna. Digo brasileiros pelo fato de no Brasil termos uma
grafia um pouco diferente da de Portugal nesse ponto. Vamos então rever o esquema de uso
dos porquês em nosso país. 1)
Usa-se POR QUE (preposição + pronome relativo) em perguntas diretas e indiretas;
observe-se o acento circunflexo no que antes do ponto-de-interrogação: Por que as mulheres
ocupam tão poucos cargos políticos? Por que quando se fala
em inclusão social feminina se fala também em acesso ao mundo digital? Brizola não aceitou o
cargo por quê? Você pode nos dizer
por que não devemos tirar proveito da boa pontuação? Nós, sim, temos o
dever de perguntar por que não lhes deram opção de vida. Joseph Stiglitz,
Prêmio Nobel de Economia, encantou platéias e mostrou por que provoca calafrios nos
burocratas de Washington. Não entendo por que
os eletricitários vão entrar em greve. Gostaria de saber por
que seu filho faltou à aula ontem. Este mês a revista
Motor revela por que vale a pena comprar um carro 1.6. Ninguém explica por
que os preços não caem. Não pude me preparar,
daí por que desisti do concurso. Não há por que
temer mudanças. Esse Brasil já tem regras, disse o presidente da Valisère. Nos casos 1, 2 e 3
está sempre implícita a palavra motivo: Por que (motivo) as
mulheres ocupam tão poucos cargos políticos? Não entendo por que
(motivo) os eletricitários entrarão em greve. Gostaria de saber por
que (motivo) seu filho faltou à aula. Eis por que (motivo)
resolvemos fazer a paralisação. Hoje, a comunidade se
assenta em torno do desmatamento porque essa é a única oportunidade de emprego e de
renda. Muitas
criança s simplesmente não conseguem aprender porque estão subnutridas. A agenda social é a
praia das mulheres, porque são elas que têm filhos e cuidam da família. *Autora dos livros Só Vírgula e Só Palavras Compostas, é diretora do Instituto Euclides da Cunha, www.linguabrasil.com.br
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