|
Dolly entrega ao subprocurador-geral da República mais denúncias sobre práticas criminosas da Coca-Cola Empresa
nacional de refrigerantes denuncia multinacional por concorrência desleal, abuso do poder
econômico, dumping e ameaças de morte. Dolly apresenta provas ao Ministério Público O subprocurador-geral
da República, Moacir Guimarães Morais Filho, nome do Ministério Público Federal
(MPF) junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), recebeu em
Brasília, no último dia 18, os representantes da Dolly Refrigerantes para mais
esclarecimentos sobre as denúncias movidas contra a Coca-Cola. A Dolly acusa a
multinacional de concorrência desleal, abuso do poder econômico, dumping e práticas
criminosas, conforme o processo 1.00.000.009905/2003-41, instaurado em agosto deste ano, e
solicitou que sejam feitas investigações e a devida apuração das detalhadas
denúncias. Na audiência, o
subpro-curador-geral declarou que vai intimar os representantes da engarrafadora Coca-Cola
para depor no MPF. As denúncias foram
apresentadas à Justiça com base em uma fita VHS com mais de 30 horas de gravação de
conversas entre o presidente da Dolly, Laerte Condonho, com Luís Eduardo Capistrano do
Amaral, ex-diretor de compras e estratégia da Coca-Cola, que teria agido com aval e a
mando do argentino Jorge Giganti, ex-presidente da engarrafadora da Coca Cola e também
ex-presidente da multinacional no Brasil, México e Argentina. No México não
tem concorrência. Liquida, mata as pessoas todas. Fisicamente, se for necessário,
afirmou na gravação Luís Eduardo Capistrano do Amaral, que teria sido contratado pela
multinacional para fazer a sabotagem contra a Dolly. A ameaça foi feita durante
reunião no dia 12 de junho deste ano, às 19 horas e 13 minutos e está documentada. O ex-executivo da
multinacional afirmou durante a conversa com Laerte, que a Dolly tira mercado do
sabor cola da Coca-Cola. Então agredir a Coca-Cola é fatal. Você tem que ter
reação. Mas o problema é que um determinado momento há uma análise de que
a Dolly está tirando cliente da cola, Coca-Cola, relata Capistrano, na fita que já
foi entregue à Justiça. Diante das ameaças de
morte, o presidente da Dolly questionou: Mas chegou-se a esta análise?.
Capistrano respondeu: Sim, pelos números você pode fazer realmente uma análise
deste tipo, e dizer de quanto o sabor Guaraná está ganhando do sabor Cola fomentado por
guaranás. Então isso começa a ser realmente o calcanhar de Aquiles. A perda do sabor
Cola para o Guaraná Dolly. E acrescentou
Capistrano: O Laerte deve estar pensando noite e dia como é que ele conquista
mercado e eu vou pensar noite e dia como é que eu vou cortar ele. O sabor
guaraná está ganhando mercado das colas o isto eles não admitem, revelam mais uma
vez, nas gravações. Com fábricas em São
Paulo e Rio de Janeiro, o presidente da Dolly denunciou que após violentas perseguições
praticadas contra sua empresa pela Coca-Cola, a cerca de três anos, nossas vendas
despencaram. Além de e-mail fraudulento, distribuição de panfletos com as afirmações
falsas em pontos de venda, nos ônibus, no metrô, posto de saúde, hospitais e academias
de ginasticas. Já em outro trecho da
fita, Capistrano frisa que o dinheiro para pagar as pessoas executar o plano sai do
Caixa Dois dos franqueadores. A ação na Justiça é lenta, demorada, confusa. Como a
nossa Justiça é muito lenta, muito injusta, até ser provado que não tem fundamentos,
já perturba. Ao disssertar sobre a parte do plano, Capistrano
classificou que não é só comparar. Tem de cobrar também uma ação mais rápida.
Então, contrata-se aquele lobista, aquele outro, que são gente que tem uma missão clara
de ir lá e encher o saco todo dia. A Coca-Cola tinha advogados contratados, lobistas
contratados, para cuidar disso junto ao Ministério Público. A estratégia
tinha vários pontos, era com fornecedores, era com a Receita Federal, era com Ministério
Público, entendeu, era através... tinha toda essa espionagem... A única coisa que o
Jorge me pediu, era preciso ter mais de 50 pontos, a Coca-Cola tem que ter mais de 50
pontos no Brasil, disse Capistrano em um outro trecho da fita, acrescentando que, o
Jorge propunha era transferir 4 pontos do teu marketing share para a Coca-Cola, essa
era a proposta. Ele se propunha a realizar todas as ações táticas que levasse esse
ganho. E apontou o pau mandado
da Coca-Cola: o que foi pedido eu te falei, foi ganhar 4 pontos, e não conseguimos
ganhar os 4 pontos. Porque a proposta foi de ponto por ponto. Era 1 milhão por ponto. De
meio ponto em meio ponto, 4 pontos daria 4 milhões, só foram 2, então foram 2
milhões. Os processos
instaurados pela Dolly estão tramitando no Cade, na Secretaria de Direito Econômico
(SDE), no Ministério da Justiça, na Corregedoria da Receita Federal e no 3° Distrito
Policial de Diadema, São Paulo. E a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo está
solicitando a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a
prática, por parte da Coca-Cola, de dumping (venda abaixo do preço do mercado),
sonegação fiscal e prejuízo ao erário público. Procurado pela
redação do HP, o assessor de imprensa da Coca-Cola, Flávio Valsani, declarou a nossa
reportagem às 9 horas e 55 minutos da última sexta-feira: não tomamos
providência. Não sabemos quais são as provas, porque a Coca-Cola não foi notificada
pelo Ministério Público. Ao ser interrogado se
Capistrano é mesmo funcionário da multinacional e fez ameaças de morte ao presidente da
Dolly, conforme demonstrado na fita de vídeo, Flávio declarou que o
Capistrano não é mais funcionário da Coca-Cola há muito tempo. Estas denúncias são
publicadas pela Dolly e não pelo Ministério Público. ADEMAR
COQUEIRO
|
| Imprimir | Converse com Editor | |