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 Fome-Zero: Petrobrás reativa poços de água no semi-árido

O diretor do Departamento de Exploração e Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, acionou os primeiros poços de água no semi-árido como parte integrante do Programa “Petrobrás - Fome Zero”, lançado no dia primeiro, último, em Brasília. O programa prevê o investimento de R$ 303 milhões até 2006. “Com barriga vazia, dificilmente as pessoas refletirão sobre nosso País e nossa sociedade”, afirmou Guilherme Estrella, ao acionar a bomba d’água do poço do Projeto Molhar a Terra, que beneficiará cerca de 27 mil pessoas em Palheiros III no Rio Grande do Norte. O presidente da Associação de Moradores local, Francisco de Assis Santos, participou com o diretor da Petrobrás da inauguração do poço.

As imagens do acionamento dos poços foram assistidas no Palácio do Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo vice-presidente José Alencar, pelo presidente da Petrobrás José Eduardo Dutra. Vários ministros, entre eles José Graziano, da Segurança Alimentar, acompanharam o evento em Brasília.

“Como diz o presidente Lula, em um primeiro momento vamos dar o peixe, e em segundo vamos dar vara e ensinar a pescar”, destacou Estrella, ao explicar que o programa da Petrobrás de irrigar o semi-árido vai beneficiar quatro milhões de pessoas em três anos e meio.

Durante o lançamento do Programa Petrobrás - Fome Zero, o presidente Lula parabenizou a atual diretoria da Petrobrás e destacou que é possível “fazer política social do tamanho da grandiosidade da Petrobrás”. “Deus queira que vocês continuem encontrando muito petróleo, mas se por acaso não encontrarem e encontrarem água, pelo amor de Deus, para o nordestino do semi-árido, água vale mais do que petróleo. Podem ficar certos disso”, afirmou o presidente Lula.

Já o presidente da Petrobrás, José Dutra, declarou: “só uma insensibilidade muito grande com o povo explica o fato dos poços inativos ainda não terem sido aproveitados”, referindo-se ao descaso do governo anterior com a população nordestina que desprezou uma área hídrica de 727.000 km2, conforme o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). O poço 1-CRU-1-RN, no Projeto de Assentamento de Reforma Agrária Palheiros III, havia sido descoberto em 1998, mas foi abandonado pelo governo FH.

Segundo o assessor do Departamento de Exploração e Produção da estatal, o geólogo Ricardo Latge, os estudos da Petrobrás para o lançamento do Programa Fome Zero em Palheiros III prevê o cadastramento de 80.000 poços em todo o semi-árido, beneficiando cerca de 1.500 municípios.

 ATIVAÇÃO DOS POÇOS 

A primeira fase do projeto, inaugurado pela gestão Lula, concluiu uma área de 225.000 km2 (30,5% da área total), abrangendo 450 municípios. Foram cadastrado 23.610 poços - 21.662 poços tubulares, 1.747 poços amazonas e 201 fontes naturais. Nessa primeira fase serão recuperados 3.851 poços (paralisados e não instalados), considerando de água doce, salobras e salgadas.

A segunda fase já está em andamento, com equipe de geólogos, engenheiros de minas e pessoal de apoio totalizando 100 pessoas. O trabalho de cadastramento terminará no final deste ano, ficando o relatório pronto em abril de 2004. Estima-se cadastrar cerca de 80.000 poços em todo o semi-árido, com aproximadamente 10.000 poços de água doce que podem ser recuperados em 1.500 municípios.

Na primeira empreitada, a Petrobrás preparou e equipou o poço 1-CRU-1-RN, no Assentamento Palheiros III. Em contrapartida, a Prefeitura de Upanema fez a ligação elétrica para atendimento da demanda de energia do conjunto de moto-bomba, bem como realizou obras em conjunto com a Petrobrás, entre elas a recuperação da escola da comunidade.

 ESTIMULAR A PRODUÇÃO AGRÍCOLA 

O poço, segundo o Departamento de Exploração e Produção da Petrobrás, está localizado num assentamento do INCRA. Os   mais de 700 agricultores têm cooperativa, facilitando a implantação do projeto e de futuros projetos de produção e a difusão de técnicas agrícolas. Como parte integrante do Programa Fome Zero, a estatal decidiu disponibilizar a água do poço 1-CRU-1-RN para estimular a produção agrícola cooperativa no assentamento Palheiros III, onde predomina o cultivo de feijão e milho e a extração de calcário para venda de blocos para piso e paralelepípedos. Os assentados já tiveram experiência com culturas irrigadas, principalmente melão e manga, mas sofreram com falta de água. Com a ativação do poço, viabiliza a fruticultura do melão e a manga, além da possibilidade do plantio da mamona para produção de biodiesel.

 PARCERIAS 

O programa Petrobrás conta com parceria de autarquias, empresas públicas e privadas, representantes do poder executivo municipal, estadual e federal, agentes financeiros e entidades da sociedade civil organizada. Paralelamente às ações técnicas estão sendo desenvolvidos projetos educativos de qualificação profissional em atividades ligadas à manutenção de equipamentos necessários à extração de água e em gestão agrícola e ambiental, de modo a viabilizar a sustentabilidade econômica das comunidades do semi-árido nordestino que passarão a dispor deste valioso bem, que é a água.

J.C. MOUTINHO/SUCURSAL RIO

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