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 BNDES divulga as condições para que AES financie dívida

Constituição de nova empresa cujo capital será partilhado entre o BNDES e a AES Corp., depois de auditoria do banco para avaliação real da situação  da Eletropaulo, da AES Tietê e da AES Uruguaiana

O BNDES e a norte-americana AES celebraram um Memorando de Entendimentos visando resolver os problemas decorrentes do não pagamento da dívida que a empresa norte-americana, açambarcadora da Eletropaulo, deve ao banco estatal. Depois que FH entregou a estatal paulista de energia à corporação ianque em 1998- pelo “preço” mínimo de US$ 1,7 bilhão -, a AES deixou de pagar parcelas do empréstimo feito à época pelo BNDES na ordem de US$ 1,2 bilhão, dinheiro usado para financiar a “privatização”.

Desde o início do governo Lula, o BNDES tentou vários acordos para receber as parcelas devidas, sem sucesso por intransigência da empresa dos EUA. Agora, restando a execução judicial das garantias - o que poderia demorar anos - as duas partes assinaram o memorando que está sob análise, podendo ser fechado o acordo no máximo até o dia 15 de dezembro deste ano.

Logo que as condições para o estabelecimento do Plano de Reorganização sejam aceitas, será constituída uma nova empresa - denominada Novacom, temporariamente - para administrar subsidiárias da AES no País, sendo elas a Eletropaulo, AES Tietê, AES Uruguaiana. De acordo com o memorando, a Novacom será administrada por um Conselho de Administração e por uma Diretoria. A proposta é de que o Conselho seja composto por cinco membros, três dos quais indicados pela AES e os dois outros pelo BNDES e a Diretoria será composta por dois diretores nomeados por indicação da AES. Já o Conselho Fiscal terá maioria formada por profissionais do BNDES, assim como os conselhos da Eletropaulo, AES Tietê e AES Uruguaiana.

A Novacom, pelo memorando, será considerada proprietária de todas as ações preferenciais e ordinárias de emissão da Eletropaulo, que atualmente estão em mãos da AES Transgás, AES Elpa, AES CEMIG, além de todas as ações de emissão da AES Tietê e das quotas representativas do capital da AES Uruguaiana.

As ações da nova empresa serão divididas entre o BNDES e a AES em montantes aproximadamente iguais, e o BNDES participará da definição da política de investimentos e de operações da Eletropaulo, da AES Tietê e da AES Uruguaiana.

Entre as condições do BNDES para a concretização do Plano de Reorganização, destaca-se a concordância do valor de avaliação da Eletropaulo, AES Tietê e AES Uruguaiana. Para tal, nos próximos 60 dias o BNDES vai conduzir uma avaliação econômico-financeira e técnico-operacional das empresas envolvidas, contando com a participação de um grupo multidisciplinar de seus funcionários e de consultores externos, além da disponibilidade de representantes da AES, Eletropaulo, AES Tietê e AES Uruguaiana, para que sejam confirmados os valores e avaliações.

Uma vez o BNDES tenha concordado com os valores atribuídos pela AES à Novacom, a subscrição de ações desta companhia se operará mediante a conversão de 50% dos créditos do BNDES contra as subsidiárias da AES, no valor aproximado de US$ 600 milhões, sem contar os encargos moratórios. Do restante da dívida, aproximadamente US$ 600 milhões, deverão ser pagos US$ 60 milhões logo na constituição da Novacom. O restante da dívida, cerca de US$ 540 milhões - não considerados os encargos moratórios - será pago pela Novacom através da emissão de debêntures conversíveis em ações ordinárias, com variação cambial e juros de 9% ao ano. Como caução serão colocadas as ações da Eletropaulo, Tietê e Uruguaiana. De acordo com o BNDES, a concretização do Plano só vai ocorrer após a realização da avaliação econômico-financeira e técnico-operacional das empresas devedoras.

Redação

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