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 Receita apreende documentos suspeitos de Eduardo Jorge, o ex-secretário-geral de FHC

Cerca de dez agentes da Receita Federal apreenderam, na última sexta-feira, documentos, livros contábeis e extratos de movimentações bancárias das empresas ligadas ao ex-secretário-geral de Fernando Henrique, Eduardo Jorge Caldas Pereira. A documentação apreendida foi recolhida em várias empresas ligadas a EJ situadas em Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília. A operação de apreensão – que marcou a reabertura do “caso EJ” – foi motivada pelo depoimento do auditor da Receita, Ruben de Seixas Neto, para o Ministério Público Federal, onde denunciou ter sido pressionado por seus superiores “a encerrar rapidamente e sem resultados” a fiscalização nas movimentações financeiras de Eduardo Jorge.

PRESSÃO

Eduardo Jorge, que foi arrecadador de dinheiro para campanha de Fernando Henrique,  era elemento da confiança de FHC, agindo em quase todos os setores da administração federal. Indicava, influenciava, agilizava liberações de verbas e dava um tratamento especial às liberações orçamentárias para as “obras” do ex-juiz Lalau e aos fundos de pensão, principal duto utilizado para implementar as entregas de estatais.

Na noite do dia 27 de agosto, o caso começou a tomar um rumo diferente quando Ruben de Seixas Neto foi ao gabinete do corregedor da Receita, Moacir Leão, para denunciar que não foi feita a auditoria nas contas de Eduardo Jorge porque foi “motivado” e “pressionado” a fazer um trabalho inconcluso, ou melhor, não realizar a auditoria e concluir que EJ nada devia. Seixas – com medo de ser envolvido como co-participante do esquema – disse que o superintendente Nilton Tadeu Nogueira, seu ex-chefe, e o secretário-adjunto Ricardo Pinheiro foram os porta-vozes da ordem.

De acordo com a revista “Época”, Seixas foi encaminhado para o MPF e em depoimento ao procurador Guilherme Shelb afirmou que ele não teve acesso a todas as informações fiscais e bancárias de que precisavam. Ao contrário de outras auditorias, era obrigado todo mês a fazer relatórios minuciosos sobre cada passo que deu ou iria dar.

DEPOIMENTO

Em depoimento no Senado, em meio a gestos e cacoetes estranhos, Eduardo Jorge encenou, esbravejou, jurou inocência e prometeu abrir seus sigilos telefônico e fiscal. Segundo ele, isso não teria o menor problema, pois nada devia. Entretanto, quando a Justiça determinou a quebra dos seus sigilos, ele se apressou em barrar a decisão. Em cada oportunidade alardeava sempre que entregou as suas movimentações bancárias e alegava que nada havia sido provado. Tentou se passar por perseguido, injuriado e acusado injustamente. Com base nesses artifícios, ampliou a encenação processando os que lhe acusava e os chamava de “inquisidores” e “maldosos caluniadores”. O depoimento do auditor Ruben Seixas mostra agora o grau da farsa de EJ.

O Ministério Público Federal recolheu nos últimos anos provas e indícios que apontam  o envolvimento de Eduardo Jorge em diversos casos de corrupção, enriquecimento ilícito e improbidade administrativa. Todas as investigações acabaram abafadas ou levadas ao esquecimento.

Redação

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