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 IPEN inaugura 4 unidades de produção de radioisótopos com tecnologia nacional

“O que foi feito é uma conquista da ciência e da tecnologia nacionais, mostrando a competência dos nossos pesquisadores, principalmente numa área que tem uma clara demanda da sociedade e um aspecto social estratégico fundamental”, afirmou o diretor do Instituto de Pesquisas em Energia Nuclear (Ipen), Cláudio Rodrigues, na inauguração de quatro unidades de produção de radioisótopos com tecnologia totalmente nacional: Tecnécio-99, Tálio-201, Iodo-131 e Gálio-67.

Essas unidades produtivas foram inauguradas em agosto, durante as comemorações de 47 anos do Ipen, que é um órgão ligado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) do Ministério da Ciência e Tecnologia. Os radioisótopos são essenciais para procedimentos médicos por fornecerem diagnósticos precisos, proporcionando a antecipação de tratamento de vários tipos de doenças, entre elas o câncer e problemas do coração. O Ipen os distribui para cerca de 300 hospitais que atendem mais de dois milhões de pessoas por ano em todo o país.

Segundo Cláudio Rodrigues, “nós vamos continuar buscando desenvolver as tecnologias para a produção de outros materiais que são importantes para a produção de radioisótopos e, aos poucos, tornar o país independente de matéria-prima para essa produção”.

O Tecnécio-99 é usado para localização de lesões cerebrais, em estudos de tireóides e cintilografia gástrica. O Tálio-201 é utilizado, principalmente, para a detecção de doenças cardíacas. O radioisótopo Gálio-67 é injetado no organismo humano para a localização de tumores em tecidos moles e lesões inflamatórias. O Iodo-131, como Iodeto de Sódio, é utilizado para estudos e tratamento das funções da glândula tireóide.

O desenvolvimento dessas novas unidades produtivas vão significar uma economia de mais de um milhão de dólares por ano, o que representa um redução de 29% nos custos do Ipen em importação de materiais redioativos.

“CADA CENTAVO INVESTIDO NO IPEN VALE A PENA”

Para o Eduardo Lima, responsável pelo setor de medicina nuclear do Hospital do Câncer de São Paulo, que tem 60% do seu atendimento para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o IPEN é de extrema importância para a medicina brasileira, “sem o Instituto de Pesquisas em Energia Nuclear, não existiria medicina nuclear no Brasil”. “Com a inauguração dessas novas unidades, o Instituto consegue baratear ainda mais os custos do diagnóstico e tratamento de diversas enfermidades. Cada centavo investido no Ipen vale a pena, pois retorna em benefícios para milhões de brasileiros”, elogia Eduardo Lima.

No Instituto do Coração do Hospital das Clínicas são realizados cerca de mil exames por mês para identificar doenças coronarianas. Segundo Cláudio Meneghetti, especialista do Serviço de Medicina Nuclear e Imagem Ortomolecular do InCor, “é super importante que possamos, mesmo que parcialmente, nos livrar da importação e desenvolver a tecnologia que os produz. Podemos fornecer para a América Latina e trazer divisas. Trazemos emprego, tecnologia e dinheiro. É disso que nosso país precisa”.

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