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O leitor pode ver acima
o fac-símile da primeira página de um manual de assassinatos, intitulado A Study
of Assassination (Um estudo do assassinato), confeccionado pela CIA para
a campanha de terrorismo feita contra a Guatemala, em 1954. Foi escrito para os agentes da
CIA destacados para a Operation PBSucess (PB, segundo o chefe da
operação, Howard Hunt, era o nome em código que a CIA usava para
Guatemala). Tal como outros
documentos antes secretos, ele pode ser consultado, na íntegra, em fac-símile e em
transcrição, no National Security Archive, seção do site da Universidade
George Washington. Também lá, pode ser encontrado um balanço da CIA de sua atividade na
Guatemala, em 1954, intitulado CIA and Guatemala Assassination Proposals,
1952-1954. E, também, uma lista (Seleção de indivíduos a serem descartados
pela Junta), datada de 31 de março de 1954, de pessoas a serem assassinadas na
Guatemala. Esta lista é apenas uma das que foram feitas. No fim da primeira página dela,
aparece a anotação manuscrita: Lista de eliminação, e abaixo, 7 de
abril dados biográficos anexados ao memorando original com dados biográficos
anexos passado para [nome apagado]. Devolvido por [nome apagado] em 1º de junho de
1954. No dia 7 de abril, um dos chefes de divisão da CIA, provavelmente Howard
Hunt, encontrou-se com Castillo Armas, anormal expulso do exército guatemalteco, levando
a lista. Castillo acrescentou outros nomes à lista de pessoas para serem assassinadas, e
a CIA incorporou os nomes (V. Gleijeses, P., Shattered Hope The Guatemalan
Revolution and the United States 1944-1954). A operação foi
aprovada pessoalmente por Eisenhower. Depois da revolução
popular guatemalteca de 1944, e da eleição do presidente Arevalo, a quadrilha que
circulava por Washington entrou em frenesi. Até então, a Guatemala havia sido dominada
pela United Fruit, que botava e tirava um ditador atrás do outro, escravizava camponeses
e mantinha um bando de capangas para matar quem se opunha a ela. O antecessor de
Eisenhower, Truman, havia aprovado outra operação, a PBFortune, que
consistia em fornecer armas a Castillo, através de Somoza que, em 1952, foi
recebido com festa em Nova Iorque (foi até condecorado pela cidade) e Washington, na Casa
Branca. Mas Truman vetou a
outra proposta da CIA, a PBSucess. Foi somente um ano depois, em agosto de 1953, que
Eisenhower aprovou o terrorismo na Guatemala, alocando para a operação a quantia
imensa na época, e, mais ainda, para um país do tamanho da Guatemala de US$ 2,7
milhões. Desde 1950, a Guatemala
era governada pelo presidente Jacobo Árbenz, coronel do exército e principal líder da
revolução de 1944, eleito com 65% dos votos. Um diplomata brasileiro assim descreve o
seu governo: ...iniciou-se a construção de estrada de rodagem entre a capital e o
Atlântico; novo porto de San Tomás de Castilha, igualmente na costa atlântica; e a
usina hidrelétrica de Jurun-Marinalá. O quarto projeto (...) seria o da implantação da
reforma agrária. Os dois primeiros programas se propunham contrarrestar a excessiva
influência de braços auxiliares da United Fruit na economia da Guatemala. [Quanto
à reforma agrária] Cem mil chefes de família haviam sido beneficiados, o que estenderia
as vantagens da reforma a aproximadamente quinhentas mil pessoas. Sendo a maior
latifundiária da Guatemala, a United Fruit (com 85% de suas terras não-cultivadas)
deveria ser a principal atingida pela reforma agrária, como de fato foi. Embora tivesse
adquirido a terra pelo preço de US$ 1.48 por acre, e diante da oferta da administração
Arbenz de US$ 2.99, ela agora exigia US$ 75.00 por acre. (Mauro Mendes de Azeredo,
A Perigosa Proposta Igualitária Da Revolução Guatemalteca) Para que a United Fruit
voltasse a subjugar a Guatemala, a CIA organizou uma série de operações
(Operation Sucess, Operation Sherwood) e destacou, para
dirigi-las, o citado Hunt o mesmo que, anos depois, seria preso durante uma ação
na sede do Partido Democrata, no edifício Watergate. Hunt organizou um grupelho de
mercenários para perpetrar crimes atentados a bomba, assassinatos, invasões e
roubo de terras. Os mercenários se apresentavam, sempre, como guerrilheiros
comunistas. Sobre isso e outros crimes, limitamo-nos a reproduzir as palavras do
próprio Hunt, em entrevista ao site já citado, ao relatar o uso de aviões e pilotos
americanos: o que nós queríamos fazer era uma campanha de terror, para aterrorizar
Árbenz particularmente, aterrorizar suas tropas, tal como os bombardeiros Stukas alemães
aterrorizaram a população da Holanda, Bélgica e Polônia no princípio da II
Guerra. Ao mesmo tempo, Hunt
encheu de dinheiro os jornais e as rádios reacionárias, que acusavam Árbenz de
complacência, ou cumplicidade, com os bandidos. Em suma, a CIA cometia os crimes e os
atribuía a Árbenz, que acobertaria os comunistas. Com as forças armadas
confundidas e paralisadas, outro grupo de mercenários contratados pela CIA invadiu o
país, encabeçado por Castillo Armas. Derrubado o presidente eleito, o regime da CIA (era
Hunt quem tinha a lista dos que deviam ser assassinados) promoveu um dos maiores massacres
da História da América, que durou décadas: 100 mil civis foram assassinados, até o fim
da ditadura, em 1990. Redação
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