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João Cândido do Brasil - A Revolta da Chibata Peça
recria a trajetória Montagem
do grupoTeatro Popular União e Olho Vivo traz aos palcos um dos mais bravos e
heróicos episódios de luta da nossa História A peça João
Cândido do Brasil A Revolta da Chibata, produzida pelo Teatro Popular União
e Olho Vivo e escrita pelo fundador e diretor do grupo, César Vieira, retrata um dos mais
bravos episódios de luta e coragem da nossa história. A peça, que foi concebida para
comemorar o aniversário do grupo, que completa 37 anos, esteve em cartaz o mês passado
no Centro Cultural São Paulo, e segue se apresentando com sucesso em diversos teatros e
bairros da periferia da cidade, como é prática do grupo. Em
João Cândido do Brasil A Revolta da Chibata, buscamos mostrar o
evento propositalmente apagado da memória do povo Brasileiro, que é colocado como
sujeito da ação, e não como observador, disse Lucas César, integrante do grupo. O espetáculo apresenta
a revolta ocorrida em 1910, no Rio de Janeiro, onde os marinheiros, liderados por João
Cândido, se levantaram contra o castigo da chibata, medida disciplinar usada pela Marinha
brasileira, que mantinha os marinheiros em regime de semi-escravidão, mesmo após a
prática do açoite contra os escravos já ter sido abolida em 1886. O uso da
chibata na Marinha era uma triste herança inglesa, introduzida no Brasil pelo Almirante
Cochrane na época da Independência, junto com o recrutamento forçado e o serviço
obrigatório de 15 anos para os marinheiros, em sua maioria negros ou mulatos. Na
rebelião, os marinheiros tomaram o poder em vários navios, dentre eles os enormes Minas
Gerais e São Paulo, apontando seus canhões para a cidade do Rio de Janeiro, na época,
capital brasileira. O movimento foi
violentamente reprimido, seus participantes presos, muitos mortos sob maus tratos, e João
Cândido - um dos mais bem preparados marinheiros da época -, após passar dias
numa masmorra sem água nem comida, foi internado como louco no Hospital da Praia
Vermelha. Após dois anos, foi liberado, mas jamais conseguiu voltar à Marinha como
gostaria. Envolvendo o público de
forma ora dramática, ora bem humorada, a peça se desenvolve apresentando fatos da
revolta, como a organização nos porões dos navios, o momento da revolta dos marinheiros
e suas exigências contra o fim da chibata, os almirantes e comandantes demonstrando total
serventia à Inglaterra, junto com suas ideologias reacionárias e racistas, e João
Cândido sendo levado para o hospício após presenciar seus companheiros serem cruelmente
assassinados. No início do
espetáculo no Centro Cultural São Paulo, foi apresentada uma merecida homenagem a Heleny
Guariba, diretora de teatro assassinada durante a ditadura, e ao Grupo de Teatro Popular
da Escola Municipal Brigadeiro Henrique Fontenelle, incentivado pelo Grupo União e Olho
Vivo. Dirigido por César
Vieira (nome artístico do advogado Idibal Piveta), o Grupo União e Olho Vivo, fundado em
1966, é um dos mais antigos do Brasil, sempre se mantendo fiel ao teatro popular, à
preocupação em levar para o palco a discussão sobre os problemas do país, em exaltar
nossos heróis, e levar essa cultura para o povo. Como afirma o crítico e ensaísta
Antônio Cândido, no prefácio do livro com o texto da peça, lançado recentemente por
César Vieira, que muito bem explica a prática do grupo: Há muito tempo acompanho
a trajetória de César Vieira e também de Idibal Piveta, intimamente entrelaçados,
porque ambas são as duas partes da mesma luta contra a injustiça, a discriminação, a
desigualdade, ora nos tribunais e no limiar das prisões, ora na página escrita e na
ação dramática. Um completa o outro, pois ambos são o mesmo, e esta peça é mais uma
prova dessa unidade indissolúvel da inteligência e da atuação; é mais uma prova da
disposição muito humana, mas nem sempre cultivada , de operar a fusão de arte e
política. O grupo tem mais de
três mil e quinhentas apresentações assistidas por um público superior a três
milhões de pessoas, divididas em mais de 10 peças diferentes, todas de autoria própria.
Desenvolveu um sistema coletivo para criação das peças, onde cada integrante pesquisa
sobre um determinado tema e, juntamente com a comissão de dramaturgia, faz um roteiro
geral que é estudado e aprimorado para formar a peça definitiva. Graças ao
reconhecimento desse trabalho, o grupo recebeu o apoio da Secretaria de Cultura do
Município de São Paulo, através do projeto de Fomento ao Teatro, para que continue seus
trabalhos pela nossa cultura popular. O texto de João
Cândido - A Revolta da Chibata recebeu os prêmios EnCena Brasil do
Ministério da Cultura, e o prêmio Carlos Miranda, da Secretaria Estadual de
Cultura. JÚLIA
CRUZ E
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