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Lula repele cobiça da banca externa sobre o Banco Central

“Nós, no Brasil, não estamos preocupados com isso”, afirmou o presidente em Genebra. “O que eu quero é um BC sério”, sublinhou

Após reunião com cerca e 200 empresários num seminário em Genebra, na Suíça, o presidente Lula afirmou em entrevista que o debate sobre a “autonomia” do Banco Central não é uma necessidade colocada pelo Brasil. “Nós, no Brasil, não estamos preocupados com isso. Ou seja, se a sociedade brasileira quiser discutir isso, se o Congresso Nacional quiser discutir, é uma discussão a mais. O que eu quero é um Banco Central sério, que leve em conta a necessidade de defender a moeda brasileira, com política monetária sem muitas oscilações, e que não faça nenhuma aventura. E isso nós temos”, afirmou o presidente.

Para Lula, esse assunto não está entre as prioridades do governo e nem dos empresários: “nenhum empresário me perguntou sobre isso”. Lula acrescentou ainda que esse assunto não passa de uma “inquietação de teses acadêmicas”.

SOBERANIA

Já no início de janeiro, reunidos em Basiléia, na Suíça, um grupo de banqueiros de Wall Street, diretores do banco central americano e de alguns outros países pressionaram acintosamente o presidente do BC, Henrique Meirelles, presente à reunião, por “maior agilidade” na implementação da dita “autonomia operacional” do banco. Durante a reunião, os agiotas disseram que “a independência do Banco Central brasileiro é fundamental para que o mercado financeiro internacional possa ter mais confiança nos rumos da política econômica do governo”.

 Diante das palavras de Lula aos jornalistas, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, arrematou: “É isso mesmo. Se o chefe falou, está falado”. Já o governador Roberto Requião, também integrante da comitiva presidencial, indagou: “Vocês tinham dúvida?”

Lula falou no seminário “Brasil: Estabilidade Econômica, Crescimento e Prosperidade”, que teve como objetivo demonstrar os avanços alcançados pelo governo e seus projetos de investimento na infra-estrutura do país com vistas a trilhar o caminho do desenvolvimento, inclusive, atraindo investimentos positivos, isto é, aqueles que vêm para a produção. O seminário que o presidente participou já deu frutos importantes. Duas empresas da China já se comprometeram em investir no Brasil, aportando um montante de cerca de US$ 3,6 bilhões no setor de mineração e alumínio.

Questionado sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos, o presidente disse que ela nunca esteve melhor, fruto da atitude soberana do governo brasileiro em suas relações internacionais. “A diferença é que estamos um pouco mais de igual para igual, sem nenhuma subserviência”, disse o presidente, sublinhando que ele admira como os norte-americanos defendem os seus interesses e que nós “temos que fazer o mesmo”.

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