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Rockfeller usa intimidação do Copom para agressão especulativa ao Brasil

Na esteira da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) de manter inalterada a taxa básica de juros em 16,5% seguiu-se um movimento especulativo na quinta-feira que ocasionou a queda de 6,14% na bolsa de valores de São Paulo. Na sexta-feira caiu mais 2,39%. Em quatro dias de queda seguida, a bolsa acumulou perda de 10,2%. Além disso, o C-Bond, título mais negociado da dívida externa brasileira, recuou 1,28%, para 98,90% do valor de face, o menor nível desde 30 de dezembro.

A senha para a manobra dos especuladores externos contra a economia do país foi essa decisão de manter como está a taxa de juros sob o pretexto de que a sua redução poderia estimular o aumento inflacionário. Segundo a ata, havia o temor de que “a inflação voltasse a crescer de maneira persistente”.

Os pérfidos especuladores externos aproveitaram a porta escancarada. O JP Morgan, de Rockfeller, subiu artificialmente o por si só fantasioso “risco Brasil” em 9%, criando um clima de pânico em relação ao Brasil e sinalizando para a agiotagem se desfazer (vender) dos seus papéis, desvalorizando-os. Naturalmente, ao provocar artificialmente a debandada, o objetivo dos grandes especuladores externos é comprar esses papéis desvalorizados (na baixa) para depois - uma vez extinto o boato do desastre - negociá-los supervalorizados. Enfim, um ataque especulativo escandaloso à economia do país.

Quase todos os especialistas do assunto estranharam o pretexto inflacionário, não vendo em absoluto nenhuma onda de aumento de preços que calçasse a medida. De acordo com o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas, Salomão Quadros, mesmo que, por hipótese, haja alguma alta por certo tempo, isso não “significará o descontrole da inflação”. O mesmo Banco Central, em dezembro, em relatório sobre inflação não mostrava nenhuma preocupação com aumento de preços. “Na ata, a previsão de inflação está abaixo da meta. Isso mostra que a taxa de juros poderia ser reduzida”, avaliou Cláudio Vaz, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos da Fiesp.

A propósito, e não por acaso, quem não se conteve de satisfação e acabou deixando escapar publicamente seu apoio à manutenção dos juros altos? O banco estrangeiro ABN Amro, na voz do seu economista-chefe para a América Latina, Arturo Porzecanski: “o banco (o BC) teve uma atitude correta”. Ao “estilo” catastrofista dos especuladores e fazendo eco com eles, também houve jornal – o do Otavinho Frias – que procurou demonstrar em vão um estouro da inflação: “volta do dragão”, “inflação acelera...”, e tal.

Com efeito, nenhum setor são, produtivo, da economia nacional concordou com a medida, a não ser os que evidentemente se beneficiam com a especulação gerada pelos juros altos: os agiotas externos. Para não baixar os juros e fazer média com os banqueiros, lançou-se mão de uma insustentável previsão de aumento dos preços, que por seu lado serviu de mote para mais um ataque especulativo ao país. A inflação se mantém baixa, com algumas oscilações de vez em quando, porém nada que seja uma ameaça. E mesmo que houvesse algum movimento no sentido de disparar os preços, o governo tem e deve lançar mão dos meios que dispõe para reprimi-los.

A grave ameaça contra a economia nacional são esses juros altíssimos, um dos maiores do mundo, que provoca aumento do desemprego, falências e gigantismo insuportável da dívida interna. O Brasil precisa crescer, criar empregos. Esse é o melhor remédio contra a inflação. Para isso o Banco Central tem que ser firme na defesa da moeda nacional, ter o controle da definição da política econômica, em benefício do país.

Quem deve determinar a política econômica que o país deve seguir é o governo e não os banqueiros externos. Esganada como é, a agiotagem quer se apropriar do BC para roubar o Tesouro, nada mais nada menos que isso. Seu interesse pelo país é o mesmo que o sanguessuga tem pelo corpo do ser humano. Como vimos nos últimos dias, se aconteceu essa agressão especulativa, o que não aconteceria se os agiotas se apoderassem do BC, por meio de uma “autonomia”, ou seja, livre do controle da sociedade, do governo?

AVESNALDO SANTOS

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