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  Becthel: serviço porco e superfaturamento para assaltar o Iraque

“As partes necessárias para o concerto das turbinas que estão paralisadas deveriam ser supridas pela Bechtel, que recebeu contratos sem licitação para restaurar a infra-estrutura do Iraque incluindo o sistema de eletricidade. Os contratos valem mais de um bilhão de dólares e estão em crescimento”, afirma o jornalista Pratap Chatterjee editor da organização Corpwatch (www.corpwatch.org) em Oakland, Califórnia. A Bechtel está encarregada de todo tipo de “reconstrução” de escolas, estradas, distribuição de água etc..

“Oferecíamos, no governo de Sadam, suprimento de eletricidade durante todo o  dia mas hoje temos problemas sérios. Nossas turbinas não recebem manutenção desde outubro. Não há peças nem dinheiro para fazer os reparos”, denunciou Yarub Jasim diretor de eletricidade para a região sul do Iraque.

Em vez das peças para concerto, o jornalista que visitou a planta encontrou como única aquisição nova apenas alguns ar-condicionados. “A Bechtel que os mandou mas não instalou e o prioritário é o concerto das turbinas”, informou o diretor Hamad Salem.

O diretor técnico responsável pela geração de eletricidade em Bagdá, Mohsen Hassan,  denunciou que, na cidade, os apagões duram dez horas por dia. “A Bechtel nos colocou em situação difícil. A eletricidade é hoje o maior problema no Iraque. Sob o governo de Sadam consertávamos tudo com rapidez”.

Os técnicos denunciam que em vez de reparar os problemas a Bechtel passou dois meses apenas tomando nota das instalações. Questionado sobre os problemas de suprimento de eletricidade e água no Iraque pelo “San Francisco Chronicle”, o diretor da Bechtel no Iraque, Cliff Mum, respondeu com arrogância: “muita gente achava que os EUA viriam para cá com um caminhão de dinheiro. Querer que a gente chegue aqui e saia concertando o Iraque, está fora da realidade”, disse Cliff.

O diretor técnico, Mohsen Hassan, discorda do executivo da Bechtel: “Nós, os engenheiros iraquianos temos condições técnicas para concertar estas turbinas, mas precisamos dos recursos e das peças de reposição e a única coisa que a Bechtel tem nos dado são promessas. Conseguimos manter a geração de 400 megawatts sem as peças de reposição, mas precisamos de mais do que palavras para prover os 2.800 megawatts que ela necessita”.

“A situação das crianças nas escolas iraquianas não é muito melhor”, acrescenta. “As reclamações sobre reparos não realizados ou mal feitos são constantes”. O descaso está denunciado até em relatórios realizados por inspeções dos soldados invasores.

Um dos relatórios referentes ao “con-certo”de uma das escolas afirma: “os novos ventiladores são baratos e pegaram fogo assim que colocados em uso. O serviço de pintura é muito malfeito. Os banheiros estão em condição precária”.

“Visitamos quatro escolas em Bagdá todas ‘renovadas’ pela Bechtel”, afirma Chartajee. “A diretora, Huda Abdurasiq, nos mostrou as marcas da chuva no teto afirmando que elas causaram curto-circuito”, acrescentou.

”O mais chocante foi o preço. Eu mesma poderia ter conseguido resolver os problemas com US$ 1.000 dólares e a Bechtel recebeu US$ 20.000 por este serviço”, afirmou Huda.

Como afirmou o Wall Street Journal sobre a Halliburton e a Bechtel: “o Iraque foi um impulso muito agradável para estas companhias”.

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