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Shafik Handal, candidato a presidente de El Salvador: “Receita neoliberal é um fracasso. O momento é de mudança em El Salvador” “Faz exatamente doze anos, no histórico Castelo de Chapultepec, que a FMLN e o governo de El Salvador firmavam os acordos que puseram fim ao conflito armado que a sociedade salvadorenha enfrentou por mais de uma década”, afirmou em discurso, Jorge Shafik Handal, candidato à presidência do país pela Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional de El Salvador (FMNL), durante as cerimônias de comemoração do XII Aniversário da assinatura dos Acordos de Paz, que restituiu a democracia e devolveu os direitos civis da população do país. De acordo com Handal, líder guerrilheiro que comandou a resistência do povo salvadorenho contra o regime ditatorial e servil aos ditames ianques, “alcançar tais acordos não foi fácil”. “Os elementos dentro do velho regime que se opunham a uma saída negociada não pouparam esforços para tirar dos trilhos as conversações de paz. Afortunadamente, essas pretensões foram isoladas e derrotadas, o clamor do povo pela paz triunfou finalmente e pudemos entrar em uma nova era no país”, continuou Shafik, candidato favorito para a eleição presidencial que será realizada no próximo dia 21 de março. “Passados doze anos, é fundamental examinar o curso que a nação salvadorenha tomou, o papel cumprido pela FMLN e as importantes transformações que aconteceram na vida nacional”, destacou Handal. “Não foi fácil chegar até aqui. Tem sido um processo complexo e conturbado, acompanhado frequentemente de obstáculos, tensões e retrocessos. Foi um duro golpe para a estabilidade do país e do bem-estar da maioria, o não cumprimento de acordo sócio-econômicos firmados pelo governo da direita neoliberal e certos grupos de grande poder econômico”, destacou Handal, denunciando que, “ao contrário, o que o povo recebeu nesse tempo foi uma dolorosa sucessão de demissões em massa, privatizações, cortes nos gastos sociais, destruição dos sindicatos, redução dos salários reais, e somado a isso as intenções de oficializar a precarização do emprego, por baixo da enganosa política de flexibilização trabalhista”. “Esta grave deterioração das condições de vida da maioria do povo se produziu em um contexto em que um reduzido grupo de famílias aumentavam a concentração em suas mãos de quase 60% da renda nacional”, precisou o candidato. Diante disso, Handal apontou que, “este é um momento de recordação e reflexão sobre o nosso passado e sobre o caminho percorrido pelo país em 12 anos de paz. Mas também deve ser uma ocasião para olhar para a frente e plantar novos caminhos”. “É certo que o país mudou, mas não é menos certo que a insistência dos governantes, e de alguns pretendentes de governantes, de aplicar a todo custo as receitas do modelo neoliberal, desumano e fracassado, enterram os fundamentos da paz e a estabilidade da nação”, denunciou Shafik. “Para viver em paz devemos atacar a raiz das causas que mantêm o povo salvadorenho numa situação de pobreza, carecendo dos elementos fundamentais para levar uma vida produtiva e digna”, frisou Handal concluindo que o povo salvadorenho, “vive um momento decisivo e é indispensável uma mudança de governo e uma mudança no rumo do país”. RICARDO FERNANDES
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