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Mercadante rejeita arrocho monetário:

“Somos prisioneiros dessa lógica há duas décadas”

“Vamos trabalhar para que a próxima decisão do Copom fortaleça o sentimento de que vamos crescer. É uma oportunidade histórica, pois tanto o cenário interno quanto o externo apontam para uma perspectiva de crescimento econômico neste ano. A melhor política social é crescer gerando empregos”, afirmou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT/SP), avaliando que a decisão do Comitê de Política Monetária de manter a taxa de juros em 16,5% é uma demonstração da chamada “autonomia do Banco Central” defendida pelos bancos, mas sublinhou que o compromisso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “com o crescimento e o emprego”.

“A grande questão do Brasil é constituir um pacto pelo crescimento com estabilidade. A segunda fase do governo Lula depende desse pacto. É preciso superar a armadilha da ortodoxia liberal, na qual o único instrumento para combater tendências inflacionárias é a política monetária austera. Isso comprime a demanda e impede o crescimento. Somos prisioneiros dessa lógica há duas décadas”, completou o líder do governo em entrevista à revista “Época”.

O senador ponderou que se o BC tem uma meta de controle da inflação, “o governo tem uma meta muito mais abrangente, que é gerar emprego e fazer do social o eixo do econômico”. “A herança inflacionária do governo FHC era provocada fundamentalmente pela taxa de câmbio. Ela agravava os custos, aumentava a vulnerabilidade das empresas com dívidas em dólar e pressionava a inflação. À medida que o câmbio se estabiliza, essa pressão desaparece”, ressaltou Mercadante, observando que a alta no índice de inflação que está ocorrendo desde o início deste ano é provocada por fatores localizados, como a alta do preço do milho na entressafra. “Não dá para matar passarinho com canhão. Não dá para usar só a taxa de juros como instrumento para enfrentar a inflação”, declarou Mercadante.

O líder do governo destacou que, depois da posse do presidente Lula, o país desenvolveu mudanças profundas na política externa e o Brasil se tornou uma liderança entre os países em desenvolvimento, “o que trará resultados promissores do ponto de vista comercial e diplomático”. “Agora é preciso abrir espaço na política interna para, com ousadia e criatividade, manter a racionalidade econômica e ao mesmo tempo buscar alternativas”, disse Mercadante.  

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