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Ministério fecha o cerco contra trabalho escravo Número
de trabalhadores libertados no campo já alcança cinco mil. “Vamos ampliar a
investigação, com mais fiscais”, declarou Berzoini
Durante os 13 meses de
governo do presidente Lula, o Ministério do Trabalho e Emprego, com o destacado apoio
das DRTs de todo país, libertou cerca de 5 mil trabalhadores rurais que vinham
sendo mantidos em condições subumanas, em regime de escravidão. O número é
o dobro do realizado no mesmo período pelo governo anterior. “As recentes execuções de três
fiscais e um motorista da DRT são a demonstração inequívoca de que estamos
no caminho certo, combatendo a precarização, o trabalho degradante, desumano e
escravo, e criando condições dignas de vida e trabalho”, declarou Carlos
Alberto Calazans, delegado regional do Trabalho de Minas Gerais. Calazans lembra que o atual
governo instalou pela primeira vez na história uma subdelegacia no Vale do
Jequitinhonha, onde muitos trabalhadores rurais são submetidos a condições de
trabalho degradantes. “Nossa ação articulada e efetiva em todo o Brasil
resultou numa ampliação de 20% no número de carteiras assinadas,
principalmente no campo. É um sinal de que estamos no caminho certo”, avaliou
Calazans. A emboscada que matou quatro
servidores do Ministério no dia 28 de janeiro, na cidade mineira de Unaí, a
170 quilômetros de Brasília, levou o ministro do Trabalho Ricardo Berzoini até
o local. “Eles foram barbaramente assassinados quando estavam no exercício de
suas funções, numa inspeção de rotina do Ministério. Vamos ampliar a
fiscalização e acompanhar de perto as investigações”, declarou o ministro,
ao lado do secretário nacional de Direitos Humanos. Uma Força Tarefa da Polícia
Federal foi destacada pelo governo para permanecer em Unaí e encontrar os
assassinos e eventuais mandantes. Presente ao ato ecumênico em
homenagem aos servidores, realizado terça-feira na Catedral de Brasília, o
presidente Luiz Inácio Lula de Silva determinou ao ministro Berzoini a urgente
contratação de mais fiscais para intensificar as investigações de trabalho
escravo. “Se três fiscais incomodaram tanto, a ordem é pôr mais fiscais e
incomodá-los muito mais”, sublinhou o presidente. Além da indenização às
famílias dos servidores, o governo federal vai garantir auxílio educacional
dos seus filhos até à universidade. “É o mínimo que o Estado pode
fazer”, frisou Lula. O Estado do Pará registra o
maior número de fazendas onde foram encontrados trabalhadores em regime de
escravidão, seguido pelo Maranhão, Mato Grosso, Tocantins, Mato Grosso do Sul,
Rondônia e Bahia. Recordista em escravização de mão-de-obra, o Pará vem
realizando uma campanha para erradicar o problema. O trabalho está sendo feito
pela DRT por meio de propagando em rádio e TV, outdoors, folhetos, camisetas,
cartilhas e com fiscalização redobrada. A Comissão Pastoral da Terra
(CPT) avalia que em todo o país existam 30 mil trabalhadores em regime de
escravidão, sendo que cerca de 55% estão concentrados no Pará. ADEMAR COQUEIRO
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