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HP Trabalhista:

O papel estratégico do BNDES no desenvolvimento nacional

JOÃO ANTONIO FELICIO *

O BNDES possui um papel central e insubstituível, contribuindo para a viabilização da retomada do crescimento e superação dos gargalos que impedem o desenvolvimento sustentável do país. O Plano de Ação do BNDES para 2004 expressa uma política acertada, sintonizada com a Política do Governo Federal. As ações são importantes e necessárias, mostrando caminhos a partir de diretrizes positivas e claras. Mas não são suficientes. É preciso uma mudança mais ampla, na política econômica do Governo. Caso contrário, a busca de mercado externo e de crescimento econômico será brutalmente reduzida.

Quais são as mudanças que precisamos? Principalmente redução da carga tributária e dos juros, que ainda permanecem altos. A redução foi muito tímida. Mas também são necessárias mudanças relativas ao mundo do trabalho que não foram consideradas tanto no Plano de Ação do BNDES como nos demais documentos do Governo sobre desenvolvimento e política industrial. É preciso estipular metas de geração de trabalho e renda, de expansão do emprego e de aumento da massa salarial.

  GERAÇÃO DE EMPREGOS  

Quando se busca estimular empréstimos a determinados setores da economia, sempre devem ser colocadas metas de emprego. O movimento sindical reivindica um crescimento que diminua o desemprego e propicie salários dignos e justos. O impacto positivo na geração de trabalho e renda deve ser um critério para aprovar projetos apresentados ao BNDES, mas também deve ser critério primordial de avaliação da política econômica. É absolutamente natural que se busquem metas de emprego ao optar por fazer empréstimos para determinadas cadeias produtivas que são altamente competitivas, exportadoras, e que fazem também uma disputa pelo mercado interno. A opção pelo desenvolvimento, em primeira instância deve responder à seguinte questão: o que a aplicação de determinada quantidade de recursos traz de bom para essa imensa maioria de pessoas desertadas, desempregadas, na informalidade?

  INCLUSÃO SOCIAL  

O desenvolvimento nacional compreende, intrinsicamente, a inclusão social. Desenvolvimento sem inclusão social é uma contradição no discurso, pois desconsidera os direitos sociais. Não se pode fazer a dicotomia entre desenvolvimento econômico e social, como se fossem opostos ou como se o “social” fosse apenas o que se refere às famílias de baixa renda e “econômico” o que se refere ao capital. No que se refere à inclusão social, não é possível falar em projetos de desenvolvimento regional e urbano, sem ter a aprovação e o apoio dos conselhos de políticas públicas nas áreas de impacto, sobretudo de projetos privados e/ou de grande monta. Na área de saúde e de segurança alimentar, há uma lacuna quanto à integração entre desenvolvimento econômico e social, tanto no Plano do Governo como, em conseqüência, do BNDES. Quando se fala em desenvolvimento da agricultura familiar, faz-se necessária uma maior integração de programas, como o Fome Zero, pois este é algo muito além do que simplesmente oferecer comida para quem passa fome e é muito mais amplo do que uma política regional.

  AGRICULTURA FAMILIAR  

A política do BNDES deve promover uma integração da agricultura familiar com o Projeto Fome Zero. O mesmo se aplica ao apoio às pequenas e médias empresas, que respondem por 70% dos empregos do país, através do fortalecimento do sistema de cooperativas de crédito, transformando-as em agentes financeiros do BNDES e agentes de formulação de políticas de desenvolvimento rural, nos diversos âmbitos (local, regional e nacional).

As diretrizes apontadas devem ser transformadas em ações concretas que permitam uma visibilidade de que o caminho proposto é acertado. A mudança do modelo econômico, com vistas ao desenvolvimento, crescimento do nível de emprego e distribuição de renda depende de um esforço para a formulação de políticas, bem como grandes mobilizações para implementar medidas que façam avançar tanto a soberania do Brasil como a integração entre o econômico e o social, entre o regional e o nacional. A valorização do trabalho propiciará tal desenvolvimento, sonhado por muitos.

* Professor da Rede Estadual de Ensino de SP, Secretário Geral da CUT, Secretário Sindical do PT Nacional, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e membro do Conselho de Administração do BNDES.  

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