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Los Angeles Times denuncia escândalo dos arsenais e pede impeachment “Bush
mentiu e foi à guerra
por
razões imperialistas” Em contundente
artigo de Robert
Scheer, o Los Angeles Times afirma que “a
lamentável admissão por parte do ex-chefe dos inspetores de armas dos EUA,
David Kay, de que Saddam Hussein não possuía armas de destruição em massa
nem meios para criá-las na época da invasão do Iraque pelos EUA confirma o
fato de que o governo Bush é cúmplice nesse, inequivocamente, maior escândalo
da história dos EUA”. “Essa
trapaça pública – aponta o jornal - para nos levar à guerra com base em
informações falsas ofusca escândalos baseados na ganância ou que tiveram por alvo opositores políticos, como o caso Watergate”.
Continuando, denuncia que “uma administração foi à guerra claramente por
razões imperialistas e depois forjaram uma realidade para vendê-la ao
povo americano”. “Não é esse um delito passível de
impeachment?”, questiona. “O
aspecto delirante de tudo isso é que nós não precisávamos de Kay para trazer
a luz a verdade dos fatos. O sistemático uso desonesto dos fatos por parte do
governo, incluindo a falsa ligação de Saddam com o 11 de Setembro, já estava
óbvio havia dois anos”. A
seguir, o artigo na íntegra: Robert
Scheer
Agora
podemos falar de impeachment? A lamentável admissão por parte do ex-chefe dos
inspetores de armas dos EUA, David Kay, de que Saddam Hussein não possuía
armas de destruição em massa nem meios para criá-las na época da invasão do
Iraque pelos EUA confirma o fato de que o governo Bush é cúmplice nesse,
inequivocamente, maior escândalo da história dos EUA. Como os republicanos detêm
o controle de ambas as casas do Congresso, não estamos ouvindo conclama-ções
para uma investigação de amplo alcance do tipo que levou à descoberta do
infame vestido azul de Monica Lewinsky. Em
nenhuma ocasião a má conduta da presidência esteve tão em jogo, tanto em
relação à preservação das salvaguardas constitucionais como da segurança
nacional. Essa trapaça pública para nos levar à guerra com base em informações
falsas ofusca escândalos baseados na ganância ou que tiveram por alvo opositores políticos, como no caso Watergate. E a
Casa Branca continua cavando para si uma cova ainda mais funda ao negar a
realidade mesmo quando um dos seus representantes encontra coragem para falar a
verdade. Um
ano após usar seu discurso sobre o Estado da União de 2003 para retratar um
suposto arsenal de armas de destruição em massa no Iraque como uma grave ameaça
aos EUA e ao mundo, Bush gastou seu pronunciamento sobre o Estado da União
deste mês defendendo a guerra porque, “se não tivéssemos agido, os
programas de destruição em massa do ditador teriam continuado até hoje”. Bush
disse que as autoridades ainda estavam “buscando todos os fatos” sobre os
programas de armas do Iraque, mas observou que os pesquisadores já tinham
identificado “dezenas de atividades relacionadas com o programa de armas de
destruição em massa”. O
vice-presidente, Dick Cheney, numa entrevista aos jornais USA Today e Los
Angeles Times repercutiu essa mentira - as “armas” do ano passado são agora
chamadas de “programas” -, declarando que “ainda está sendo decidido”
se o Iraque tinha armas de destruição em massa e “a esta altura, estou muito
longe de concluir que houve alguma falha fundamental no nosso serviço de
informações”. Porém,
três dias após o discurso sobre o Estado da União, Kay demitiu-se e começou
a contar ao mundo o que o governo vem negando desde que assumiu a Casa Branca:
que o regime de Saddam não passava de uma sombra da força militar que era na
época da Guerra do Golfo, em 1991; que ele acredita que não tinha programas
nem estoques de armas químicas, biológicas ou nucleares significativas e as
inspeções da ONU e os bombardeios dos aliados na década de 90 tinham sido
mais eficazes na destruição dos remanescentes programas do que os críticos
tinham pensado. “Estou
pessoalmente convencido de que não havia nenhuma grande reserva de armas de
destruição em massa produzidas recentemente”, disse Kay a The New York
Times. “Não encontramos as pessoas, nem os documentos, nem as instalações físicas
que você esperaria encontrar se a produção estivesse em andamento. Acho que
eles reduziram gradualmente as reservas no decorrer da década de 90. Em algum
momento, o restante das armas químicas foi eliminado ... Os iraquianos dizem
acreditar que (o programa de inspeção da ONU) foi mais eficaz (do que os
analistas americanos acreditaram) e eles não queriam ser pegos.” O DELÍRIO O
aspecto delirante de tudo isso é que nós não precisávamos de Kay para trazer
à luz a verdade dos fatos. O sistemático uso desonesto dos fatos por parte do
governo, incluindo a falsa ligação de Saddam com os eventos de 11 de setembro,
já estava óbvio havia dois anos. É por isso que 23 ex-especialistas em
inteligência dos EUA - entre eles vários que se demitiram enojados - se
dispuseram a manifestar-se no chocante documentário de Robert Greenwald,
Uncovered. A
história que eles contam é a de uma administração que foi à guerra
claramente por razões imperialistas e depois forjaram uma realidade para vendê-la
ao povo americano. Não é esse um delito passível de impeachment? Afinal,
o presidente induziu o Congresso ao erro para obter aprovação para sua guerra
preventiva com a justificativa de que nossa própria sobrevivência estava ameaçada
pelas armas do Iraque. Disseram-nos que, se hesitássemos, permitindo que os
inspetores da ONU que estavam no Iraque continuassem trabalhando, uma imensa
nuvem de uma explosão nuclear poderia muito bem ser nossa negra recompensa,
para usar as imagens de Condoleezza Rice. Agora
que Kay - que, vale lembrar, defendeu anteriormente a guerra e rechaçou o
trabalho dos inspetores da ONU - teve US$ 900 milhões e pelo menos 1.200
inspetores da armas para descobrir o que muitos na CIA e em outros lugares
vinham nos dizendo o tempo todo, será que não vai haver nenhuma repercussão
verdadeira diante de uma mentira oficial tão devastadora?
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