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Desnacionalização das teles elevou as tarifas em 611%

Além dos aumentos abusivos, a qualidade dos serviços prestados despencou, levando as operadoras a liderar as listas de reclamações dos institutos de defesa dos consumidores

Pesquisa realizada pela Fundação Ins tituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Pulo apurou que nos dez últimos anos as tarifa de telefonia fixa aumentou nada menos que 611,03%, enquanto que a inflação do período medida pelo Índice de Preços ao Consumidor ficou em 145,01%.

O abuso é fruto da entrega das estatais de telefonia promovido pelo governo anterior, de Fernando Henrique, que desmantelou e esquartejou o Sistema Telebrás, doando as empresas brasileiras aos estrangeiros.

Junto com isso, o governo anterior inventou as denominadas “agências reguladoras”, com a finalidade de atender os interesses dos “novos donos” das estatais. A partir daí, foram firmados contratos que prevêem reajustes anuais pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna), que sofre forte influência do dólar e das variações do mercado externo. O resultado não poderia ser outro senão aumentos escorchantes para os bolsos dos consumidores.

Para se ter uma idéia do abuso, a tarifa telefônica foi campeã entre os reajustes dos serviços administrados, ficando bem à frente dos demais como água e esgoto, gás encanado, energia elétrica e transportes públicos. De acordo com a consultoria “Globalinvest”, em 1994 esse conjunto de tarifas públicas consumia 10,9% da renda dos trabalhadores, e atualmente consomem 23,1%.

A entrega das estatais de telefonia significou a desintegração do sistema nacional de telefonia. Quando nas mãos do Estado, o sistema Telebrás, através da Embratel e das companhias estaduais de telefonia, sempre funcionou de forma planificada e planejada com um único objetivo: atender o interesse coletivo.

Depois da entrega, o interesse coletivo foi deixado de lado, imperando apenas o objetivo de lucro fácil das empresas estrangeiras. Além dos aumentos abusivos, a qualidade dos serviços prestados despencou, levando as operadoras a liderar as listas de reclamações dos institutos de defesa dos consumidores.   

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