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Presidente da República falando sobre a importância da auto-estima nacional em discurso no Pará:

Lula: “EUA descobriram que Vietnã tinha um canhão em cada gesto”

“Todos acharam que era só chegar lá, para os americanos darem um tiro, correrem para o abraço e comemorarem a vitória”, disse na inauguração da mina de cobre em Canaã

O presidente da República destacou na sexta-feira, durante a cerimônia de inauguração da mina de cobre do Sossego, em Canaã dos Carajás/PA, a importância da auto-estima elevada do povo para que se possa construir um país forte e desenvolvido. Ele deu como exemplo desta auto-estima positiva a determinação demonstrada pelo povo vietnamita na expulsão dos invasores americanos de seu país, no início dos anos setenta.

VIETNÃ

“Eu, uma vez, vi um documentário sobre a guerra do Vietnã”, lembrou Lula. “Quando se discutia o início daquela guerra, as vantagens comparativas da força bélica americana, todo mundo tinha em conta que aquela guerra era só chegar lá, para os americanos darem um tiro, correrem para o abraço e comemorarem a vitória”, prosseguiu. “Na primeira reunião falava-se com muita facilidade da vitória da guerra”.

Mas, disse Lula, “passado algum tempo, eles começaram a descobrir que não estavam enfrentando um exército comparado ao deles, do ponto de vista bélico, mas estavam enfrentando um povo que, acima de tudo, tinha um canhão em cada gesto e em cada atitude”.

“Eu me lembro, acrescentou o presidente, “de uma cena do secretário dizendo ao presidente Johnson: ‘Está ficando impossível, porque nós não estamos enfrentando um exército. Nós derrubamos uma ponte e, na semana seguinte, tem uma ponte de bambu. Nós detonamos uma estrada e, na semana seguinte, tem velhinhas de 70 anos puxando uma bicicleta e carregando 80, 90 quilos em cima da bicicleta para suprir a impossibilidade do caminhão. Portanto, não será fácil derrotar o Vietnã’. “A história todo mundo sabe. Todo mundo sabe como terminou aquela guerra”, lembrou. Em seu discurso, Lula comparou o heroísmo dos vietnamitas à determinação do povo brasileiro na construção do país.

“Aqui em Carajás, debaixo deste solo, existem riquezas imensas que têm contribuído muito para o desenvolvimento e o progresso social do nosso querido Brasil”, apontou Lula, ressaltando que “a produção daqui e, em breve, das outras minas que integram o projeto, vai levar o Brasil à auto-suficiência em cobre e ampliará, mais ainda, a nossa capacidade exportadora no setor mineral”.

“Mas para que isso realmente se efetive, é preciso fazer planejamento e criar condições favoráveis a esses investimentos pesados”, frisou Lula, que lamentou o fato do governo passado ter abandonado investimentos que levaram “o nosso país, por exemplo, a viver, há poucos anos, o apagão e um racionamento de energia elétrica, além de sérios problemas de infra-estrutura”. “Por isso”, completou Lula, “o nosso governo, com muito esforço e com a ajuda de muita gente, está tentando corrigir esse descaso histórico do nosso país”.

O presidente reforçou ainda a importância do setor mineral brasileiro para o crescimento das exportações. “A alavanca exportadora, uma das mais destacadas prioridades do nosso governo, tem alcançado objetivos extraordinários. O superávit crescente em nossa balança comercial - 24 bilhões e 800 milhões de reais em 2003 - comprova o acerto desse caminho. O setor mineral é responsável por 30% desse resultado”, lembrou.

AGENDA

“E isso não vem ocorrendo por acaso”, afirmou o presidente. “Trata-se de uma forte ação estratégica composta pela agenda criativa de nossa diplomacia e por nossa presença ousada no comércio exterior”, prosseguiu. “É assim que o Brasil tem enfrentado graves pontos de estrangulamento da economia, o que não vinha sendo feito nos últimos anos, procurando diminuir em especial a nossa vulnerabilidade”.   

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