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Iraquianos tomam as ruas: “Sadam é a glória da Nação!”

De norte a sul, a população empunhando cartazes e faixas expressou apoio ao presidente Sadam Hussein e repudiou a farsa de Bush

“Escolhemos Sadam para nosso líder”,  “O julgamento de Sadam é ilegítimo”, “Todo Iraque sabe que Sadam é a glória da Nação!” e “Com nosso sangue, nossa alma defenderemos Sadam” eram as palavras entoadas por milhares que levantavam fotos do presidente iraquiano Sadam Hussein, nas cidades de Mossul, Samarra, Ramadi, Tikrit, Al Dawr, Bakuba, Buhriz e muitas outras de norte a sul do país. Além das palavras de ordem, os iraquianos se manifestavam por todo o país com buzinaços e tiros para o ar saudando as passeatas.

Manifestações populares reuniram homens mulheres e crianças em todo o Iraque nos dias 2, 3 e 4 rechaçando a o tribunal-farsa montado por Bush e seus colaboracionistas.

Nas ruas da cidade de Bagdá a indignação está presente nas manifestações e nos comentários da população nos cafés, lojas e barbearias. “Não sei porque estão julgando Sadam. Ele não é culpado de nada”, questionou Ahmed Abdala, estudante do distrito de Adamyia. “Se fosse por mim, o traria de volta para a presidência hoje, não amanhã”, completou.

Faleh Jasem, motorista residente na capital, declarou: “ele é um líder árabe.  Ele tomou uma posição heróica. Ficou de pé diante da América e isso o faz um homem de verdade aos meus olhos”. A moradora Hana Majid acrescentou: “Estávamos felizes com ele, então quem são estes infiéis para levá-lo embora?”

Muhamed Al Samarei, dono de uma loja de discos também se somou aos protestos: “os americanos querem puni-los por que não se rendeu a eles. Sadam estará sempre em nossos corações”.

Em Samarra os manifestantes entoaram: “Somos todos a favor de Sadam. Ele continua nosso presidente”. Um dos participantes da manifestação, Muhamed Yassin, denunciou: “o julgamento tem sido ridículo. Os que julgam o presidente são nomeados pelas forças de ocupação. Por isso não têm o direito de julgar o presidente Sadam Hussein, que é quem tem legitimidade no país”.

A equipe de defesa de Sadam anunciou que uma caravana de advogados está se organizando e contará com mil e quinhentos integrantes de diversos países, que se deslocarão até Bagdá para manifestar seu apoio e denunciar a farsa e as aberrações jurídicas do “tribunal”.

Issam Gazawi, destacado advogado jordaniano, e um dos que encabeçam a equipe de defesa declarou que dos voluntários para a defesa, 700 não são de origem árabe, incluindo 400 americanos e europeus. Os preparativos finais para a caravana ocorreram num grande encontro de advogados realizado em Aman, dia 2.

Mohamad Rashdan, outro advogado da equipe de defesa de Sadam anunciou a disposição de Aisha Kadafi, filha do líder líbio Muamar Kadafi, de se juntar à defesa depois de ver sua primeira aparição na televisão. “Ela expressou seu desejo de se juntar a nós em defesa do presidente Sadam e em protesto a essa performance vergonhosa”, afirmou Rashdan. Aisha, doutorada em legislação internacional, informou que se juntou a ela um grupo de advogados líbios.

NATHANIEL BRAIA   

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