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Capangas de W. Bush censuram cobertura das declarações de Sadam

As declarações do presidente Sadam no tribunal-farsa montado em Bagdá, na quinta-feira, dia 1º de julho, foram censuradas por funcionários militares dos Estados Unidos no Iraque, relatou Robert Fisk do jornal inglês The Independent.

“Um jornalista de uma rede norte-americana exigiu aos soldados que lhe devolvessem suas fitas, que continham em áudio as declarações ante a ‘corte’. Um funcionário americano lhe respondeu: ‘Não. Agora nos pertencem’”, afirmou, acrescentando que um almirante dos EUA em roupas de civil ordenou desconectar os microfones para não gravar as colocações de Saddam.

Um outro repórter dos EUA relatou: “Eles [os militares] eram os donos do show. Decidiram o que o mundo devia e não devia ver deste julgamento. Havia um funcionário britânico e não se nos permitiu fotografá-lo. Havia soldados norte-americanos aos que se lhes ordenou ir ao recinto vestidos com roupas de rua, para que parecesse que havia civis na audiência”.

“Três militares dos EUA viram as fitas gravadas por cinegrafistas da CNN, Al Jazira, uma estação local e o canal iraquiano financiado pelos EUA, e por uma equipe de Washington. Afortunadamente não revistaram corretamente as fitas e pudemos transmitir nosso áudio via satélite a Londres”, declarou outro repórter.

“Fingi desconectar o microfone da câmara, mas o homem que dizia ser almirante norte-americano não sabia nada de câmeras e pudemos gravar o áudio. Os censores da embaixada dos EUA foram muito displicentes, graças a isso não se deram conta do que tínhamos gravado. A única coisa que conseguiram censurar foi quando Sadam disse que (a farsa que apresentaram como julgamento) ‘é um teatro. Bush é o verdadeiro criminoso’”, acrescentou o repórter.

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