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Lula: G-20 é decisivo para uma frente unida dos países emergentes

Defendeu mercado comum entre África e Mercosul. “São medidas que criam novas relações de força”, disse, durante anúncio de cooperação com a Namíbia

O presidente Lula anunciou na segunda-feira, durante encontro com o presidente da Namíbia, Sam Nujoma, em São Paulo, a decisão de promover um grande intercâmbio entre os dois países na área naval. “Um tema central de nossa cooperação está na área naval”, disse o presidente brasileiro. “Estamos decididos a levar esse intercâmbio adiante e no próximo dia 25, o Ministro da Defesa da Namíbia estará na Base Naval de Aratu para receber a antiga corveta Purus, que será incorporada à Marinha namibiana”, informou.

COOPERAÇÃO

O governo brasileiro divulgou também, durante entrevista coletiva, o contrato de fornecimento ao país africano de navios que serão usados em funções de patrulha em suas costas. “Tenho, também, o prazer de anunciar a decisão do governo da Namíbia de encomendar ao Brasil a construção de navios-patrulha”, disse Lula. “Igualmente significativo foi a recente assinatura do contrato com empresas brasileiras para a segunda fase do levantamento da plataforma marítima namibiana”, acrescentou.

“Outra prioridade de nossa cooperação que examinamos”, afirmou Lula, “foi o combate à epidemia de Aids. Esperamos concluir, o mais cedo possível, um acordo para a produção conjunta de anti-retrovirais. Esse acordo beneficiará pacientes na Namíbia e poderá servir de modelo para assegurar o acesso da população atingida, em toda a África, aos medicamentos necessários para enfrentar esse flagelo”.

Lula frisou a importância da concretização da nova geografia comercial como meio para a ampliação das relações comerciais entre os países em desenvolvimento. “Avaliamos nossas relações comerciais. Embora elas tenham aumentado em 40% depois da minha visita de novembro passado, ainda é muito modesto o fluxo bilateral”, salientou. “Sabemos que as perspectivas em nosso comércio estão ligadas à criação da nova geografia comercial, proposta reiterada por mim na XI UNCTAD, realizada recentemente em São Paulo”, ressaltou o presidente.

“Examinamos de que forma nossos países podem contribuir para acelerar esse processo”, disse Lula. “Uma resposta está em garantir o sucesso da nova rodada de negociações do Sistema Geral de Preferências Comerciais”, prosseguiu. “Ao fortalecer o comércio Sul-Sul, estamos criando novas condições para a retomada das negociações de Doha. Concordamos, também, que o G-20 tem papel decisivo na coordenação de uma frente unida dos países em desenvolvimento”, ressaltou Lula.

MERCOSUL

Brasil e Namíbia aproveitaram também para defender uma maior aproximação entre a África e o Mercosul. “Da mesma forma, apoiamos as negociações entre a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral e o Mercosul, para criar uma área de livre comércio”, disse Lula. “São medidas que criam novas relações de força, ajudam-nos a superar as práticas protecionistas. Afora os temas da agenda bilateral, examinamos ainda a atualidade internacional. Manifestei que a parceria com a Namíbia é elemento relevante da política brasileira, de resgatar nossas relações com a África”, prosseguiu o presidente, ressaltando “o grande o êxito do primeiro Fórum Brasil-África, realizado em Fortaleza, em junho de 2003”.

Os dois presidentes defenderam a reformulação das Nações Unidas como caminho para a paz e a estabilidade mundial. “Estamos convencidos de que a aceitação do unilateralismo tem agravado e agrava a instabilidade política internacional”, afirmaram os dois presidentes. “Por essas razões, consideramos que a reforma da Organização das Nações Unidas, particularmente, o Conselho de Segurança, é ainda mais urgente”, completaram.

SOCIAL

Sam Nujoma reiterou, segundo Lula, o seu apoio à aspiração do Brasil de tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança. “Pensamos que essa avaliação vale, sobretudo, para os esforços em favor de uma solução justa e duradoura para o processo de paz no Oriente Médio, inclusive para o rápido restabelecimento da soberania do povo iraquiano”, defendeu Lula.

O presidente informou também que houve grande concordância entre os dois chefes de Estado na exigência de que a Carta das Nações Unidas seja respeitada por todos e que não haja mais ações unilaterais sob qualquer pretexto. “Não temos dúvida de que a cooperação e o diálogo são o caminho”, disse.

Concluindo o pronunciamento, Lula revelou que ficou satisfeito com a conversa sobre o programa Fome Zero. “Sobretudo”, acrescentou, “porque a Namíbia é reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho no campo social”. “Concordamos ser urgente enfrentar, com determinação, as questões de erradicação da pobreza, segurança alimentar, serviços de saúde, emprego e educação. Elemento importante desse esforço que envolve o desenvolvimento urbano e a regularização de terras, onde nossa cooperação já apresenta os primeiros resultados”, completou Lula.   

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