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Monopólio das tradings norte-americanas sabota produtores de soja do Brasil De acordo com estimativas do Ministério de Agricultura e de associações ligadas aos produtores de soja as perdas acumuladas com o processo de suspensão das exportações para a China podem chegar a U$ 1 bilhão, levando em conta principalmente a queda no preço do produto no período, além de outros fatores. O preço caiu de U$ 320 para U$ 260 a tonelada. O Ministério informa que o número exato ainda não pode ser calculado. O Brasil e a China chegaram a um acordo que acabou com a suspensão das exportações brasileiras de soja para aquele país. O Brasil se comprometeu a fiscalizar a partir de 15 de julho as exportações de soja para impedir que as tradings - principalmente norte-americanas - carreguem navios indiscriminadamente com sementes contaminadas por agrotóxicos. A China aceitou o limite de um grão de semente contaminada para cada quilo de soja exportada para consumo alimentar. As tradings estrangeiras dominam a comercialização de soja do Brasil. Atualmente, cinco exportadoras - ADM, Bunge, Cargill, Coamo e Dreyfus – controlam 80% das vendas do Brasil para a China. Há especialistas da área que estimam que esse número é muito maior, quase 100%. A China havia cancelado as importações de soja brasileira depois de constatar a contaminação em excesso do produto pelos fungicidas carboxin e captan, produzidos por multinacionais. O carboxin é fabricado pela empresa norte-americana Crompton/Uniroyal. Ele é proibido na China para produtos agrícolas importados para uso alimentar tanto humano quanto animal. O captan é distribuído no Brasil pela empresa Mileni - subsidiária da israelense Makhteshim, com ligações com a norte-americana Koor Industries. Há versões do carboxin misturado ao captan. Como a soja americana é reconhecidamente de alto índice de contaminação, a China – maior importadora do produto no mundo – passou a reduzir as importações dos norte-americanos, simultaneamente aumentando a compra do produto brasileiro, indiscutivelmente mais saudável. A redução das exportações de soja norte-americana não interessa nem um pouco às tradings que operam no Brasil, em especial a Cargill, o maior monopólio transnacional do mundo no setor, responsável pela opressão dos fazendeiros americanos há décadas, assim como de produtores de inúmeros países. A Cargill já foi condenada por monopólio da comercialização até no Texas. A propósito, falando de
sabotagem à soja brasileira, no ano passado, um funcionário do governo dos
Estados Unidos, da Aphis (Serviço de Inspeção e Defesa Vegetal do
Departamento de Agricultura dos EUA), foi flagrado em Barreiras (uma das grandes
regiões produtoras de soja do país), na Bahia, com um aparelho portátil para
detectar esporo - o fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da doença chamada de
“ferrugem da soja”. A denúncia foi feita pelo chefe de gabinete da
Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Jorge Salim
Waquim. Ele explicou durante reunião do Comitê de Negociações Internacionais
do Ministério que o fungo colhido em uma área é expelido para outra área
para nova medição, o que espalharia a “ferrugem da soja”. A doença impede
a formação completa dos grãos, o que prejudicaria a produção da soja
brasileira, principal concorrente dos Estados Unidos.
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