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Milhares de cisternas irão captar água para população do semi-árido

Através do Programa Fome Zero, o governo federal anunciou que irá construir mais de 25 mil cisternas nas regiões mais atingidas pela seca do Nordeste

Até o final de 2004, a população rural do semi-árido nordestino poderá contar com mais 25,5 mil cisternas, além das 18 mil já construídas desde julho do ano passado. A liberação dos recursos, anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), irá beneficiar milhares de famílias nos 11 estados que fazem parte da região chamada de semi-árido.

“A gente saía de casa às três horas da manhã, saía para buscar água em Fagundes (município vizinho), a três léguas daqui. Agora tudo mudou, a água está bem do nosso lado. Que maravilha!”, afirmou o morador da comunidade de Sítio Bolas, em Itatuba (PB), Antonio Alves de Araújo, um dos beneficiários pelo projeto.

90 MIL PESSOAS

Segundo o Ministério, cerca de 90 mil pessoas já estão utilizando as cisternas. As mais comuns nessa região são as de placas, que consistem num sistema de reservatórios cilíndricos, cobertos e semi-enterrados que permitem o armazenamento de até 200 mm de água da chuva. Essa quantidade pode garantir água potável para uma família de cinco pessoas beber e cozinhar por até um ano.

“Água é muito difícil pra nós. Nós pegávamos água longe, às vezes em terreno alheio, os donos uma hora gostavam, outra hora não gostavam, e aquela reclamação toda. Agora todos temos uma cisterna”, afirma a agricultora Petronila Antunes, que tem uma pequena propriedade no município de Coronel José Dias (PI).

Segundo estimativas, a precipitação pluviométrica no semi-árido brasileiro atinge entre 700 e 750 milímetros por ano. A título de comparação, na bacia do rio Paraná, região bem favorecida pelas chuvas, a média dos últimos 20 anos esteve em torno dos 1.500 milímetros.

RESERVATÓRIOS

O tamanho e o valor dos reservatórios irão variar de acordo com a quantidade de pessoas que utilização a água. O Ministério irá investir mais de R$ 37 milhões para construir essas novas unidades. Os recursos servirão, entre outras coisas, para a aquisição de materiais como cimento, areia, ferro, arame, brita, etc. na própria comunidade, e para o treinamento da família, que irá receber o benefício, no tratamento da água para habilitá-la ao consumo humano. Segundo técnicos e funcionários que trabalham com o Projeto Cisternas, os custos atuais variam bastante, de um mínimo de R$ 844,00, até o máximo de R$ 1.200,00, sendo que cada cisterna pode armazenar 10 mil, 15 mil, 16 mil, até 20 mil litros.

Estima-se que vivam aproximadamente 8 milhões de pessoas na área rural dessa região, o que a torna o semi-árido o mais populoso do mundo. Com uma área de 868 mil metros quadrados, o semi-árido brasileiro abrange o norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo; o sertão da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, e sudeste do Maranhão.

Entre os benefícios da água potável fornecida pelas cisternas, a queda nos casos de verminose já foi confirmada nas comunidades. De acordo com o Ministério, nos locais em que o projeto já foi implementado, o número de casos chega a registrar uma queda de até 93%.

QUALIFICAÇÃO

Com a renovação do convênio, 1.920 pedreiros serão qualificados em técnicas de construção de cisternas. Outros 960 jovens aprenderão sobre a construção de bombas manuais, enquanto 48 gerentes e coordenadores participam de cursos sobre o gerenciamento de recursos públicos, práticas contábeis e coordenação de equipes de projetos.

As cisternas construídas são, no início, compartilhadas de forma solidária pelas famílias da localidade, o que diminui a disponibilidade de água prevista (de 16.000 litros/ano por família). O programa, no entanto, atinge seu auge quando a maior parte das famílias – 70% a 80% em cada região – é beneficiada, garantindo sua independência na utilização de água potável.

MARIANA MOURA   

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