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Servilismo de Fox aos EUA encolhe as reservas de petróleo em 42%

“A crise da Petroleos do México não é produto do esgotamento de recursos, nem do crescimento da economia. A finalidade é satisfazer as exigências dos Estados Unidos”, denunciou a bancada parlamentar do PRI  

“As reservas comprovadas de petróleo do México caíram 42% no período 2001 a 2003”, revela o documento “As reservas de hidrocarbonetos no México - avaliação até 1o de janeiro de 2004”, elaborado pela estatal Petróleos Mexicanos (Pemex). As causas do desastre, apontadas no estudo e em ampla denúncia realizada no Congresso Nacional, na segunda-feira, dia 21 de junho, são a política de extração exacerbada do óleo, somada à falta de prospecção, exploração e investimento, executada pelo presidente Vicente Fox em canina obediência às ordens do cartel petroleiro dos Estados Unidos.

“A produção petroleira do governo Fox tem uma sofreguidão tamanha que levará ao esgotamento das reservas de gás e cru nos próximos nove e onze anos, respectivamente, sem outro objetivo que o de se submeter aos problemas energéticos dos EUA e obter dinheiro o que é exigido para o pagamento de dívida externa”, afirmou o senador Manuel Bartlett, do Partido Revolucionário Institucional (PRI). “A extração de petróleo, só no ano passado, foi numa média de 3 milhões 371 mil barris diários, o maior volume registrado na história do país”, destacou Raúl Muñoz, diretor geral da estatal.

Os dados oficiais do estudo indicam que as reservas comprovadas de hidrocarbonetos totais somavam em 2001, primeiro ano do governo Fox, 32 bilhões 614 milhões de barris, e no primeiro de janeiro de 2004 diminuíram para 18 bilhões 895 milhões de petróleo cru equivalente. Confirmando que o problema se origina na falta de prospecção e perfurações exploratórias, as reservas prováveis são avaliadas em mais de 17 bilhões de barris e as possíveis em 13 bilhões, informação que consta no site Latinpetroleum.com. Perfurações em águas profundas do Golfo do México realizadas pelos EUA e por Cuba mostram um grande potencial de reservas ainda não exploradas.

“A crise da Pemex não é produto do esgotamento de recursos, nem de um necessário crescimento da nossa economia, mas de um plano contra o patrimônio nacional. A finalidade de produzir petróleo nas bases em que está sendo feito, é para satisfazer as exigências dos EUA”, reafirmou a bancada parlamentar do PRI, acrescentando que “durante 2003 as tentativas do governo Fox para romper o monopólio da indústria petroleira e desmantelar a Pemex como histórico operador do setor em nosso país aumentaram. Foram entregues segmentos inteiros da indústria petroleira a empresas transnacionais, socavando as bases técnicas, financeiras e gerenciais da nossa estatal, que mesmo assim é muito rentável ”.

A defesa da Pemex está unificando diferentes setores da sociedade mexicana. Ao PRI se juntou o Partido da Revolução Democrática (PRD), o Partido do Trabalho (PT), o Partido Popular Socialista (PPS) e outros partidos menores. O movimento sindical e o setor universitário, encabeçado pela Universidade Nacional do México (Unam), mobilizam as entidades sociais para impedir a privatização da estatal.

“O investimento produtivo da indústria petroleira decresce em forma inversamente proporcional à desmesurada e irracional exploração do cru, os enormes recursos obtidos pelo aumento conjuntural dos preços internacionais se diluem de forma escura e descontrolada, para depois argüir que ‘não há dinheiro’ para investir na estatal e que, em conseqüência, é necessária a ‘abertura’ da Pemex aos capitais especuladores do exterior”, diz o editorial do jornal da Unam, La Jornada.

Cuauhtémoc Cárdenas, dirigente do PRD, exigiu na terça-feira, dia 22, que “o governo freie as exportações de petróleo e impulsione as de petroquímicos, como forma de deter a deterioração das reservas de petróleo do país, entregando-as a interesses estrangeiros”. Também demandou anular os contratos de serviços múltiplos a transnacionais que extraem gás natural da região norte do país.

Durante o governo Fox as exportações – que já eram vultuosas, se considerarmos que o México é um dos principais fornecedores de petróleo dos Estados Unidos - aumentaram 13%; de 1 milhão 652 mil barris diários para um milhão 860 mil. Pressionado por Bush, o capacho ainda pretende levá-las a 2 milhões diários até o final deste ano.

SUSANA SANTOS   

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