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“Locuções Tradicionais do Brasil”, de Câmara Cascudo, em nova edição

Após dezoito anos de sua morte, o escritor e historiador Câmara Cascudo terá o livro “Locuções Tradicionais no Brasil”, originalmente publicado em 1970, relançado pela Global Editora. “Todas as locuções reunidas neste livro foram ouvidas por mim. Evitei as tentações do esclarecimento controvertido daquelas frases que tinham sido queridas e vulgares em Portugal de trezentos anos passado, fixadas na literatura coetânea e jamais vivas na linguagem brasileira. Limitando a tarefa às locuções tradicionais, não recusei hospitalidades às relativamente modernas, pequeninas construções novas erguidas com o material das reminiscências sem idade, como surge uma aldeia nas ruínas do castelo desmoronado”. Essa frase foi escrita por Cascudo na apresentação deste livro.

“Locuções Tradicionais no Brasil” registra por volta de 500 expressões pesquisadas pelo autor, proporcionando ao leitor uma fonte de reflexão sobre sua própria língua. A primeira expressão citada por Cascudo é “favas contadas”. É que, antigamente, votava-se com as favas brancas e pretas, significando sim ou não, com cada votante colocando o voto na urna. Depois vinha a apuração pela contagem dos grãos, sendo que, quem tivesse o maior número de favas brancas estaria eleito. A expressão “favas contadas” significa a decisão do pleito. Outra das expressões publicadas, que são usadas até hoje, é “passou-lhe a mão na cabeça”, que traduzindo significa desculpar, relevar vícios, perdoar, erros, entre outros significados. Ou então, “bode expiatório”: o grande culpado inocente, responsável pelas culpas alheias, expiando os crimes que não cometeu. Outra expressão publicada pelo autor é “pé-rapado”, que significa descalço, pé no chão, de pés nus. Como justificou Cascudo, “constitui a mais humilde categoria social. O sapato é uma promoção econômica. Era, no Brasil anterior a 1888, a primeira compra do escravo alforriado, índice da conquista autárquica. Nos sertões e praias, o único par de calçados era usado em festas religiosas e visitas de alta cerimônia”.       

Considerado um dos maiores folcloristas brasileiros e estudioso da nossa cultura popular, Câmara Cascudo era um pesquisador apaixonado, declarando-se, onde quer que fosse, que era interessado pelas coisas da cidade e do campo, não escondendo seu fascínio pelo que sábios, analfabetos e humildes tinham para falar.

Cascudo se formou em Direito na cidade de Recife, sendo colaborador de alguns jornais da época. Publicou 127 livros e foi um dos fundadores da Academia Norte Rio Grandense de Letras, em 36, recebendo o Prêmio João Ribeiro pelo livro “Geografia dos Mitos Brasileiros, em 47. O escritor recebeu também o Prêmio Machado de Assis, dado pela Academia Brasileira de Letras pela sua obra.   

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