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Sivio: “PT rechaça rede de intrigas, boatarias e fofocas. Momento é de buscar o melhor para o país”

Em entrevista divulgada pelo “Portal do PT” e caracterizada pela lucidez e serenidade, o secretário nacional de organização do partido, Sílvio Pereira, denuncia a “rede de boatarias, de fofocas, de intrigas” por parte de alguns setores da mídia e da oposição que não têm pejo de inventar “informações falsas, mentirosas” que chegam ao “puro delírio”. “O presidente Lula já apontou caminhos, o debate é focado em colocar as coisas para funcionar”, afirmou o dirigente petista, enfatizando que “o documento produzido pelo PT nada mais é do que a confirmação do que o próprio governo está buscando, ou seja, a necessidade de acelerar as ações voltadas ao crescimento”. 

Leia a entrevista: 

A revista “Época” publicou, em sua edição de 8 de março, a informação — sem revelar a fonte — de que o sr. e o secretário de Finanças do PT, Delúbio Soares, teriam pedido demissão ao presidente José Genoino depois de ele não ter aceitado uma suposta proposta de vocês sobre a inclusão de críticas à política econômica na nota política aprovada pela Executiva na última sexta-feira. Isso é verdade?

Silvio : De jeito nenhum. O suposto pedido de demissão é um fato inexistente, mentiroso, é um puro delírio. A afirmação de que eu e o Delúbio queríamos a inclusão de uma crítica contra a política econômica é outro disparate. Não houve nada disso.

Como foi a produção dessa nota aprovada? Houve alguma discussão antes entre você, o Genoino e o Delúbio?

Silvio: Esta nota foi sendo costurada vários dias antes da reunião. No dia da reunião, chegamos a um texto de comum acordo com os principais membros da Comissão Executiva Nacional. Eu, infelizmente, não pude participar do início da reunião porque fiquei preparando a segunda parte dela, que era sobre as estratégias do GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral) para as eleições municipais deste ano. Portanto não pude participar deste ponto do debate sobre as emendas à declaração política. Só vim a saber que ocorreu uma emenda quando vi pelo noticiário na TV que o partido havia aprovado uma suposta crítica à política econômica do ministro Antonio Palocci.

O trecho sobre a política econômica não estava na versão original?

Silvio: Não estava. Este é um processo normal: quando iniciamos uma reunião, o fórum pode aprovar qualquer tipo de sugestão ao texto proposto. E, uma vez aprovado o texto final, não tem mais importância o proponente da emenda, porque ele passa a ser um texto de todos nós. O que quero deixar claro é que o fato de a imprensa ter atribuído a mim e ao Delúbio a autoria dessa crítica não procede.

Qual a sua posição em relação ao conteúdo da nota aprovada?

Silvio: É importante deixar claro que, desde o primeiro dia do governo até o presente momento, o PT sempre apoiou e continuará apoiando a política econômica do governo. Como bem já disse o Genoino, o PT é o partido das mudanças, mas defende que elas sejam processuais, sem aventuras e rupturas. O documento aprovado não foi no sentido de crítica à política econômica. O desejo do PT nada mais é que o próprio desejo do Palocci, o próprio desejo do presidente Lula. O presidente tem articulado com os principais líderes mundiais no sentido de se flexibilizar as regras do FMI. Essa é a busca de caminhos novos para que possamos ter mais recursos para investimento. Portanto, o sentido da nota não era o de criticar, mas de apoiar e reforçar a busca desses caminhos que já vêm sendo traçados pelo governo. Querem transformar este episódio em uma intriga entre o ministro Palocci e a direção do partido. Isso não existe, da mesma forma que a Executiva não toma parte entre setores de governo. A Executiva apóia o governo na pessoa de seu presidente. É importante dizer que o PT é o partido do governo, mas é um partido autônomo. É natural que o partido faça o debate. Se tiver que fazer críticas, fará.

A que você atribui essas informações infundadas que foram publicadas na revista “Época” e, posteriormente, no jornal “Folha de S.Paulo”, sobre as intrigas e o pedido de demissão?

Silvio: Em primeiro lugar, creio que o caso Waldomiro acabou gerando uma campanha sistemática de setores da oposição e da mídia contra o PT. Criou-se uma rede de boatarias, de fofocas, de intrigas como forma de tentar manter o assunto em alta. Essas duas informações falsas fazem parte dessa campanha. É natural que alguns tentem pescar em águas turvas. O que tenho a dizer é que as fofocas, os boatos e o vazamento de informações não contribuem nada para avançarmos no projeto do governo Lula. Não ajudam o PT, não ajudam o governo, não ajudam o Brasil. Precisamos dar um basta nesta rede de intriga, de terror e de boataria que está colocada.

Qual a estratégia do PT para anular essa campanha sistemática contra o partido?

Silvio: Em primeiro lugar, temos que dizer a todo militante petista que o partido está coeso. Temos uma unidade em defesa do PT, em defesa dos valores éticos do partido, da mesma maneira que nós defendemos esse governo. Mas é preciso deixar claro que a defesa do governo pelo partido não significa que não possamos fazer críticas ao próprio PT ou ao governo. Essas críticas devem ser vistas como naturais. Mas neste contexto em que se deu, na esteira do caso Waldomiro, qualquer comentário acaba sendo mal-interpretado. O momento não é de intriga nem de briga interna. Temos que fazer um debate buscando o que é melhor para o país.

Houve alguma conversa sua com os ministros Palocci e Dirceu para elucidar a questão?

Silvio: Sim, conversamos com vários ministros e explicamos ao governo que o foco da reunião do PT foi a busca de coesão do partido. A questão da política econômica não era o objetivo central. Dissemos que o documento produzido pelo PT nada mais é do que a confirmação do que o próprio governo está buscando, ou seja, a necessidade de acelerar as ações voltadas ao crescimento. E ouvimos deles que este é também o pensamento do governo. Nós vamos manter o mesmo nível de diálogo que sempre tivemos com o governo porque nosso objetivo principal é ajudá-lo. E não faremos um cavalo de batalha dessa história, porque é natural que ocorra em algum momento uma certa tensão positiva entre partido e governo. O que chamo de tensão positiva? O governo tem seus limites institucionais, sua base de apoio. O partido não está preso a esses limites institucionais nem à sua base de apoio. Então o partido pode e deve enxergar e apontar caminhos além dos limites institucionais do governo.

A crise Waldomiro já está superada?

Silvio: Avaliamos que a crise já está superada. Passaram-se 14 meses do governo Lula e não foi apresentada até agora nenhuma denúncia contra o governo Lula. Se, num primeiro momento, houve algum desencontro dentro do PT e dentro do governo, avalio que hoje não há mais isso. Minha avaliação é a de o governo está coeso, o presidente Lula já apontou caminhos, o debate é focado em colocar as coisas para funcionar, tocar nossos projetos. O ministro José Dirceu continua tendo todo o apoio do partido bem como os ministros Palocci, Gushiken. Inclusive, por ocasião da reunião do Diretório Nacional, da tribuna usei uma expressão que reafirmo hoje aqui: o PT não é do Lula, o Lula é que é do PT; o PT não é do Gushiken, do José Dirceu ou do Palocci, eles é que são do PT. Nós nos orgulhamos muito dessas nossas lideranças que estão conduzindo a política do governo. E é natural que haja, em algum momento, alguma divergência sobre um ou outro ponto. Mas esta divergência não pode levar à ausência da unidade de ação. Portanto, avalio que os episódios estão superadas, as invenções sobre intrigas entre ministros e partido não vão colar e o partido tem que rechaçar qualquer tipo de acusações infundadas contra seus filiados e dirigentes.   

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