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Argentina dobra arrogância do FMI e o obriga a recuar “Prevaleceram os interesses nacionais”, disse o presidente Kirchner após desfecho das negociações que demoliram as pretensões de arrocho do Fundo “Prevaleceram os in teresses nacionais”, afirmou o presiden te Néstor Kirchner, em precisa avaliação sobre o desfecho das negociações da Argentina com o Fundo Monetário Internacional, dia 9 de março. “Que não se enganem. Quero o acordo. Mas não um acordo imposto por eles”, frisou o presidente na noite anterior rejeitando as propostas que o FMI queria impor atropelando todos os acertos feitos em setembro de 2003. O pagamento dos US$ 3,1 bilhões ao FMI, efetuado no dia 9, só foi realizado quando sua representante, a norte-americana Anne Krueger, comunicou a Kirchner o recuo na posição de não aprovar a segunda revisão do acordo bilateral assinado no ano passado, aceitando os termos da Casa Rosada. Não só recuaram como também “se comprometeu a reembolsar o pagamento” ao Banco Central de Buenos Aires, segundo declarou a senadora Cristina Fernández de Kirchner. Se pagasse os 3,1 bilhões de dólares sem a garantia de sua restituição, o país corria o risco de perder 20% das reservas – que estão em torno de US$ 15 bilhões – ficando enfraquecido em um momento em que a atividade produtiva de país inicia a sua retomada. Castigada pela política de governos servis aos EUA e a FMI, principalmente nos anos de desgoverno de Carlos Menem, a Argentina acumula uma dívida pública total de US$ 169,615 bilhões e está em moratória com credores privados por um total de US$ 88 bilhões. A firme posição de Kirchner dobrou também a pretensão do FMI de boicotar a decisão do governo argentino de renegociar essa dívida pública em mãos de credores privados, que estabelece uma redução de 75% do valor dos papéis. Krueger, que encabeça provisoriamente o Fundo após a renuncia do alemão Horst Kohler, queria que a aceitação da proposta entre os credores superior a 80% do valor das obrigações. Para atingir isso, a Argentina seria obrigada a reduzir o desconto e, com uma parte razoável da dívida em mãos dos chamados “fundos abutres”, essa exigência forçaria o governo a ter que negociar com o capital especulativo. Ficou em aberto a possibilidade de negociar a percentagem na base de um “patamar mínimo necessário”. Além de chantagear o governo argentino com a não aprovação da revisão, no movimento de pressionar para aumentar o valor do pagamento da dívida, o FMI pretendia criar uma máfia de agiotas, entre os quais o Merrill Lynch, Barclays e União de Bancos Suíços, com amplos poderes de representar esses credores, e encurralar o governo para impor suas condições. “Já está tudo dito. Está tudo muito claro. O governo é que terá o poder de decisão. Esta negociação não é como um jogo de futebol, mas a Argentina não estava acostumada a uma discussão dura e nós a bancamos”, definiu Néstor Kirchner, esclarecendo que os bancos vão só “assessorar” o governo. Nesse ponto, a exigência de que deveria se chegar “imediatamente” a um acordo sobre as formas de pagamento caiu e se manteve a proposta Argentina que faz referência ao mês de julho próximo. Em setembro de 2003, já o governo Kirchner não tinha cedido às pressões do Fundo, não pagando um vencimento de US$ 2,9 bilhões até que, dois dias depois, a banqueirada voltou atrás em sua pretensão de não retornar o dinheiro, descumprindo o que tinha sido negociado anteriormente. “Não vamos pagar a dívida externa com a fome e mais sacrifício dos argentinos”, reafirmou o presidente, assegurando que “vamos concentrar nossos recursos no crescimento. Tem que entender que essa é a única decisão racional. Um país quebrado não paga nada nem ninguém”. SUSANA SANTOS
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