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Povo pede renúncia de Sharon pego em mais um escândalo

A população israelense exige a renúncia de Sharon depois da revelação de mais uma falcatrua. O nazista preteriu um piloto, cujo avião foi abatido ao sul do Líbano, em favor do coronel Elhanan Tennenba (genro de um ex-sócio) e acelerou sua liberação nas negociações recentes com o Hizbolah. A indignação aumentou  quando veio à tona o envolvimento de Tennen-baum em fraude, falsificação de documentos para obter hipoteca e sonegação de impostos.

Durante meses Sharon comandou uma negociação com o Hezbolah me que foram libertados mais de 400 prisioneiros da organização que lutou contra a ocupação israelense no sul do Líbano. Em troca o Hezbolah liberou Elhanan.

No entanto, havia entre os israelenses a exigência de que, além de libertar Elhanan, o Hezbolah informasse do paradeiro do piloto Ron Arad, cujo avião foi abatido durante a invasão israelense também no sul do Líbano.

Sharon, para acelerar o fechamento da negociação sem a obtenção de informações sobre Arad, disse que Elhanan estava sendo torturado e teria perdido todos os dentes sob tais torturas e estaria doente. Com essa conversa convenceu os ministros (vencendo por um voto), o parlamento e a população.

Ocorre que Elhanan, liberado há poucos dias, chegou com todos os dentes, saudável, sem sinais de tortura e está sendo agora investigado sob suspeita de ter sido seqüestrado após oferecer-se para vender informações militares ao Hezbolah, que ao que tudo indica, não aceitou comprar as informações e aproveitou para deter o coronel e depois exigir a libertação dos integrantes da organização.

Agora, surge a informação de que, além de ser um velho conhecido de Sharon e de seus filhos, Elhanan também era genro do ex-sócio dele, Shimon Cohen, num negócio de venda de produtos de sua luxuosa fazenda, ‘Sicamore’, nos anos 70. E Sharon fez todos os esforços para libertá-lo sem informar a ninguém de seus laços pessoais com o larápio.

Como os seus ex-sócios sabem muito mais do que já foi descoberto até agora, Sharon se esforçou para acelerar o caso e calar o bico da quadrilha. Na ficha corrida do naziisralense está a recepção de propina para intermediação ilícita de um negócio na Gré-cia, em favor do empresário David Appel quando ministro do Exterior, e a receptação US$ 1,5 milhão do judeu sul-africano Cyril Kern, durante a campanha eleitoral.

Com lama até o pescoço, nem a imprensa que era conivente com o seu governo o poupou. “Submeta sua renúncia primeiro-ministro. Ponha as chaves do Estado sobre a mesa e vá embora”, escreveu, no dia 9, Ben Kaspit, no Maariv. O jornalista Dan Margalit escreveu, também no Maariv: “Basta! Sharon tem que ir-se e o quanto antes melhor”. Um dia antes outro jornal, o Haaretz, dizia: “cada mês traz outro escândalo, outro caso, outra investigação”.

Nem as pesquisas deu para maquiar. Segundo o instituto israelense Dahaf 57% dos israelenses acham que Sharon ‘não é digno de confiança’ e 53% a favor da sua renúncia.

Os parentes e amigos do piloto que Sharon virou as costas expressaram sua indignação. “Me sinto enganado”, afirmou Nissim Yogev, que fez curso de pilotagem com Ron Arad como instrutor. O coronel Gur Meir, que serviu no mesmo esquadrão de Arad afirmou: “A família de Arad foi abandonada com um grande buraco na mão sem nada que justifique isso”.

O advogado da família de Arad, Eliad Shraga, também protestou: “a família esperava que as decisões fôssem baseadas em outras considerações. O engodo está exposto”.

Já o protegido de Sharon está sendo interrogado, como se para esclarecer a história de sua prisão pelo Hezbolah em Dubai. Só que o interrogatório, por determinação de Sharon, está sendo conduzido na suíte de um hotel de lazer com a família e os advogados autorizados.

“Abriremos inquérito”, afirmou o procurador do Estado, Eliezer Goldberg, informando que Sharon será submetido a investigação por mais essa manobra.

O líder do partido trabalhista no parlamento, Ofir Pines, declarou que Sharon “deveria ser submetido a um detector de mentiras”. Como diria o Ben Gurion, provavelmente o detector vai quebrar.

NATHANIEL BRAIA

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