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Seqüestrado, Aristide conclama haitianos para resistir ao golpe “Continuo sendo o presidente constitucional e farei tudo que estiver ao meu alcance para acompanhar o povo que me elegeu em sua resistência” “Sou o presidente democraticamente eleito e continuo sendo, e conclamo por isso, em nome dos que me elegeram, à resistência pacífica para restaurar a ordem constitucional haitiana”, afirmou Jean Bertrand Aristide, falando pela primeira vez em público na República Centro Africana, ao lado do chanceler do país. Ele reiterou sua denúncia sobre o golpe de estado concretizado por tropas dos EUA, e seu seqüestro. No Haiti, continuam as manifestações contra a invasão e, em Porto Príncipe, os marines foram por duas vezes alvejados por patriotas haitianos, perto do palácio invadido. “Insisto que houve um seqüestro político”, sublinhou Aristide, relatando a invasão do Haiti, o cerco ao palácio por tropas dos EUA e sua condução, junto com sua esposa, sob mira de armas, até um avião americano com destino ignorado, após ameaça de um banho de sangue no país e inclusive seu assassinato. “Fomos proibidos no avião até de olhar pelas janelas”. A viagem durou 20 horas. “Os mesmos assassinos, os mesmos criminosos que causaram a morte de cinco mil pessoas no Haiti estão sendo utilizados agora por uma mão invisível para semear o luto em meu país”, afirmou o presidente, que acrescentou: esses acontecimentos “levaram infelizmente à ocupação do Haiti”. “Continuo sendo o presidente constitucional e farei tudo que estiver ao meu alcance para acompanhar o povo que me elegeu em sua resistência, que também é a minha”, anunciou. A entrevista de Aristide
ocorreu depois de uma delegação americana, que foi até a capital
centro-africana se encontrar com Aristide e foi impedida, ter divulgado no mundo
inteiro que o presidente estava “sob chave e cadeado”, causando forte
repercussão, especialmente na África. O governo da RCA mudou de comportamento,
autorizou a coletiva de imprensa e permitiu que eles se reunissem por duas vezes
com o presidente haitiano. A delegação incluiu Kim Ives, da entidade Haiti
Progres e da Rede de Apoio ao Haiti; Johnnie Steves e Sara Flounders, do Centro
de Ação Internacional (IAC), representando o ex-procurador-geral dos EUA
Ramsey Clark; advogado Brian Concannon; e Katherine Kean, amiga do presidente. INVASOR FECHA FACULDADE As autoridades centro-africanas deixaram claro que seu país se encontra sob forte pressão dos EUA, que queriam impedir que o presidente Aristide tivesse acesso aos meios de comunicação, advogados, companheiros de luta e amigos. Falando à radio Pacifica, dos EUA, ao programa “Democracia Agora”, perguntado se planejava voltar, ele respondeu: “se pudesse ir hoje, iria hoje; se amanhã, irei amanhã. No momento devido, direi sim, porque minha gente me elegeu”. Aristide denunciou, ainda, o fechamento da única faculdade de medicina do Haiti, para servir de acampamento para os marines invasores. “Em meu país, depois de 200 anos de independência – somos o primeiro país negro independente do mundo – temos somente 1,5 doutores por cada 11 mil haitianos. Criamos uma universidade com faculdade de medicina, que tem 247 estudantes. Assim que os soldados dos EUA chegaram ao Haiti após o seqüestro, o que sucedeu? Fecharam a faculdade de medicina e estão agora nas salas de aula. Isto é o que eles chamam paz. Isso é o contrário da paz”, apontou. O presidente haitiano
denunciou, também, que a invasão se apoiou na escória. “Quando protegem
traficantes como Guy Philippe, como Chamblain, quando protegem cidadãos dos EUA
em violação da lei dos EUA - Mr. Andy Apaid, da maneira como estão atuando,
destroem nossa democracia e uma vez que fazem isto, então é uma ocupação”,
concluiu. ANTONIO PIMENTA
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