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Celso Amorim sobre o acordo Mercosul e Comunidade Andina:

"Trabalhamos por uma América do Sul próspera e mais justa"

"Iniciamos programas amplos e inovadores nas áreas de saúde, da educação, da cooperação fronteiriça, do meio ambiente, a defesa e da infra-estrutura", destacou o ministro das Relações Exteriores

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou o acordo firmado entre o Mercosul e a Comunidade Andina, que reúne a Colômbia, Equador e Venezuela. O acordo envolve o livre comércio entre os países membros dos dois blocos - pelo Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai -, investimentos e cooperação tecnológica e científica. Segundo Amorim, o acordo significa "a conquista de um sonho de dez anos" e vai "promover a integração da América Latina". O chanceler brasileiro destacou a importância da união dos países do continente para negociações com outros blocos. "Quanto mais unidos estivermos", ressaltou Amorim, "mais fortes estaremos também para a negociação internacional".

PRIORIDADE

Conforme afirmou o ministro brasileiro em seu discurso durante a Reunião do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (Aladi) realizada em Montevidéu, no Uruguai, "o Brasil está comprometido em contribuir para as crescente integração entre nossos países. O presidente Lula atribui a mais alta prioridade à integração regional. Para transformar a prioridade política em realidade concreta, com benefícios para todos, o Brasil tem trabalhado ativamente com todos os seus vizinhos e com os parceiros da América Latina".

DESENVOLVIMENTO REGIONAL

Celso Amorim citou exemplos de projetos de integração lançados pelo atual governo e que estão em andamento: "Iniciamos programas - amplos e inovadores - nas áreas de saúde, da educação, da cooperação fronteiriça, do meio ambiente, da defesa e da infra-estrutura. Estamos trabalhando sempre na perspectiva de uma América do Sul próspera, estável, integrada e mais justa, e dentro de um contexto de uma América Latina mais desenvolvida. Estamos impulsionando ações concretas na área de infra-estrutura, com a identificação de projetos de forte impacto multiplicador para a geração de empregos e repercussão na área social. Destaco, especialmente, o apoio que vem sendo dado a esses projetos pelo nosso banco de desenvolvimento, o BNDES, cada vez mais integrado como um instrumento de promoção do nosso desenvolvimento regional".

Outro ponto abordado pelo chanceler foram "os acordos de livre comércio do Mercosul com a Bolívia e o Chile. No caso específico da Bolívia, temos levado plenamente em conta a necessidade, também referida aqui anteriormente, de tratamento assimétrico para países de menor desenvolvimento. Demos mais densidade ao acordo com Cuba e abrimos caminho para a negociação de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o México".

COOPERAÇÃO AMAZÔNICA

O equilíbrio nas negociações foi também destacado pelo ministro Amorim. "Nas múltiplas iniciativas em que nos engajamos - e queria mencionar também algumas que transcendem este âmbito, mas que se relacionam a ele, como as relativas ao Tratado de Cooperação Amazônica -, procuramos reconhecer sempre, no espírito da responsabilidade solidária, diferenças nas estruturas dos países e desenhar mecanismos para melhor potencializar os ganhos do processo de integração para todos e cada um de nós. O reconhecimento de assimetrias, que nos tem sido negado em outros foros e em outras negociações, tem sido uma marca de nossas negociações com países de economias menos desenvolvidas que a nossa. Tem, adicionalmente, inspirado o estabelecimento de programas, como o de Substituição Competitiva de Importações, em um esforço raro, em caso de países em desenvolvimento, de buscar equilibrar as condições de intercâmbio com os países da região".

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