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Copom sabota crescimento

Aumentou Selic em meio ponto percentual

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na última reunião dos dias 19 e 20 de outubro decidiu dar "prosseguimento ao processo de ajuste moderado da taxa de juros básica iniciado na reunião de setembro e elevar, por unanimidade, a taxa Selic para 16,75% ao ano, sem viés", um aumento de meio ponto percentual.

Um aumento nada "moderado", já que em setembro, a taxa Selic subiu 0,25% pontos percentuais, voltando ao patamar de março de 16,25%, quando já naquele mês, os índices usados para medir a inflação (IPCA, IPC-FIPE, IGP-M, IGP-DI), e, em particular o IPCA - índice oficial do governo - apontavam não só queda, mas "trajetória descendente" da inflação, revelando que os índices estavam abaixo das metas inflacionárias definidas não só para este ano, como para o ano de 2005. E aumento de juros nominais com queda de inflação significa, precisamente, aumento de juros reais, ou, o que é outra forma de dizer a mesma coisa, aumento dos lucros dos bancos à custa do Tesouro, do dinheiro público. Em suma, uma transferência maior ainda de recursos do povo para os cofres dos especuladores.

No dia 19 último, quando teve início a reunião do Copom, a Fundação Getúlio Vargas divulgava as prévias da inflação medida pelo IGP-10 com enorme queda e no dia 20, o IGP-M também registrava deflação. "No momento, a situação da inflação está bastante confortável e controlada", declarou o coordenador da FGV, Salomão Quadros.

Por outro lado, os índices divulgados em setembro confirmavam a retomada do crescimento econômico. Até agosto, no acumulado do ano, a produção industrial registrava alta de 8,8%, na comparação com o mesmo período do ano passado. A balança comercial encerrou o mês de setembro com superávit de US$ 3,1 bilhões, com valores recordes tanto nas vendas quanto nas compras externas, e entidades empresariais divulgaram aumento nas vendas da indústria e do comércio. Com o crescimento, o número de vagas aumentou, assim como aumentou também a procura por emprego e, segundo dados do Ministério do Trabalho, o emprego formal também cresceu.

Portanto, a decisão do Copom de aumentar os juros é uma sabotagem aberta à política do governo Lula de promover o desenvolvimento e o crescimento do país. Não há ameaça de inflação, o que existe é uma vontade muito grande do governo, empresários e trabalhadores de contribuir com esse processo, alocando os recursos na produção e no emprego, ao invés de entregá-los aos monopólios financeiros, estes sim, que sempre vêem seus megalucros ameaçados.

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