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"União" de Serra é a que existe entre os velhacos e o Diabo Proliferou a dengue, a lepra e a tuberculose. Aumentou os impostos em mais de 20%. Desempregou milhões de trabalhadores. Tudo isso porque "as pessoas em primeiro lugar" O refúgio do velhaco é lançar mão de uma palavra que designa algo bom, edificante, solidário, para tentar trans-formá-la em biombo de suas patifarias e canalhices. Assim, quando quer submeter a tudo e a todos, não raro ele apela para a palavra "união". O fenômeno pode ser observado em qualquer mussolinizinho de porta de bordel. Que "união" ele quer? A de todos servindo a ele e aos seus propósitos infames. Sobre isso, o povo brasileiro se lembra de Collor, de Fernando Henrique e de outros bandidos. DEMISSÕES Um deles, o nefando Serra, tem repetido essa gororoba repulsiva em seus programas de TV. A "união" de Serra tem o mesmo conteúdo de suas declarações de que "ensino não é prédio, é professor na sala de aula". Serra é a impostura em forma de careca - que nos perdoem os honrados calvos por essa incursão ao terreno da escassez capilar. Realmente, ninguém até agora pretendeu que as paredes das escolas ensinassem geometria ou gramática aos alunos. Mas deve ser devido a essa profunda convicção de que ensino é professor em sala de aula que os correligionários de Serra, entre 1995 e 2001, demitiram 40 mil professores da rede estadual de ensino de São Paulo. Deve ser também por isso que durante o governo em que Serra foi ministro - e segunda figura - jamais o ensino desceu tanto de nível, segundo dados do próprio Ministério da Educação na época. Deve ser por isso, também, que eles inventaram uma encenação para substituir o ensino, pela qual o aluno era aprovado automaticamente, tivesse ou não - e geralmente não - aprendido alguma coisa. É por isso que ele acha os CEUs da prefeita Marta um desperdício: lá o aluno aprende, tem acesso aos bens culturais da sociedade, assim como aos esportes, e não há encenação. Pra que educar o povo se os americanos é que devem dirigir o país? Então, que se dê o dinheiro do povo a eles - não a quaisquer americanos, mas aos banqueiros americanos - sob forma de juros. Afinal de contas, não foi exatamente isso o que Serra fez como secretário de Planejamento do governo Montoro, e, depois, como ministro de Fernando Henrique? Foi por isso que ele ficou conhecido como o ministro do desemprego. Nunca o país teve tantos desempregados como quando ele foi ministro. Um verdadeiro delírio desempregatício. Mas isso não o impede de dizer que foi a prefeita Marta quem afugentou as empresas de São Paulo, quando ele foi o responsável por fali-las aos milhares, por desnacionalizá-las, por obrigá-las a demitir trabalhadores, simplesmente porque não tinham como enfrentar os monopólios estrangeiros que, durante todo o período em que ele esteve no Ministério do Planejamento, eram subsidiados pelo governo, através de um câmbio criminoso, para inundarem o mercado daqui com produtos que fabricavam no exterior, quebrando as empresas nacionais que davam emprego aos brasileiros - e em especial aos de São Paulo, região mais industrializada do país. E o resto é tudo assim. Não tem o menor escrúpulo de acusar os outros por aquilo que ele perpetrou. Aliás, é somente o que faz, dia e noite: já nos referimos ao caos a que ele levou a Saúde quando era ministro - a dengue foi multiplicada por quase 5; a lepra, doença medieval ou pré-histórica, teve o maior número de casos no mundo; a tuberculose, outra antigüidade médica, proliferou no conjunto do país. Serra depravou os genéricos em instrumento de lucro dos monopólios farmacêuticos estrangeiros, sobretudo os norte-americanos; acoitou uma máfia na área de hemoderivados. E, ao mesmo tempo em que devastava o sistema hospitalar brasileiro, deixando à míngua os hospitais públicos e os hospitais conveniados do SUS, Serra, através da lei 9656/98, liberou os planos de saúde para que escalpelassem o povo brasileiro. Em suma, obrigou a que o cidadão tivesse que se submeter a um plano de saúde privado para ter um atendimento minimamente decente e, ao mesmo tempo, liberou os tubarões da saúde para que aumentassem os preços dos planos. CINISMO É esse o sujeito preocupado com a saúde que aparece na televisão, mais uma vez acusando os outros do que ele, e ninguém mais que ele, é responsável - aliás, culpado, pois em crimes há que se falar de culpa, e não de responsabilidade, coisa de que ele realmente é incapaz. Da mesma forma, é suprema indecência, isto é, supremo cinismo, acusar a prefeita por duas taxas de pequeno valor, cujo dinheiro foi usado integralmente em benefício do povo, quando ele é culpado de aumentar a carga tributária do Brasil em nada menos do que 20,5% - e somente para que os banqueiros externos forrassem as burras. A prefeita usou a taxa de iluminação pública para instalar 27 mil postes na periferia. E usou a taxa de lixo para construir a mais moderna usina de reciclagem de lixo do mundo, numa cidade - a terceira maior do planeta - que estava com os aterros sanitários transbordando. Ele é muito preocupado com as pessoas. Durante quatro anos, foi o autor, pessoalmente, de todos os cortes orçamentários na área social, que tornaram o Tesouro um monopólio de especuladores externos. Serra foi membro decisivo da trupe de privatizadores das teles e, principalmente, das empresas elétricas, aventura corrupta, irresponsável e subserviente que conduziu ao abismo, isto é, ao apagão de 2002. As tarifas de luz, como os nossos leitores sabem por experiência própria, deram um salto para a órbita de Plutão, enquanto o país afundava na escuridão. E, agora, vem criticar a adversária, que está na Prefeitura há menos de quatro anos, porque ainda existem ruas de São Paulo, uma cidade gigantesca, que ainda não têm iluminação... A Prefeitura foi obrigada a estabelecer as taxas de lixo e iluminação pública porque Serra e seu grupo obrigara o antecessor de Marta a assinar um acordo de dívida pelo qual 13% do orçamento municipal era sequestrado mensalmente pelo governo federal. A maior parte do que restava era empregado para manter o que já havia sob responsabilidade da Prefeitura. Se a administração quisesse investir na área do lixo ou da iluminação, teria que estabelecer aquelas taxas. A alternativa era nada fazer para solucionar o problema do lixo ou da iluminação, e que se danasse o povo. PRIVATIZAÇÕES Mas, ainda sobre a privatização, houve quem se beneficiou dela. Por exemplo, o sr. Gregorio Preciado, casado com uma prima de Serra e sócio dele, juntou polpudo patrimônio enquanto agia como representante de uma empresa estrangeira que se apropriou de parte da rede de empresas públicas de energia. Quanto ao caixa de campanha de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, este apareceu em todas as negociatas, a começar pela da Telebrás, onde foi flagrado por uma gravação. Ricardo Sérgio manipulou a rodo os bilhões do fundo de pensão do Banco do Brasil, que controlava, para formar grupos de assaltantes de estatais; comprou dois edifícios a preço de banana, que eram antes pertencentes ao fundo de pensão da Petrobras; e é um dos que fizeram do Banestado um dinheiroduto para mandar dinheiro ilegal para o exterior, além de operar em Cayman, onde lavava dinheiro que reintroduzia no Brasil através de empresas de fachada. Serra jamais construiu nada. Nem diretamente nem por idéia ou apoio. Não criou os genéricos - que foram criação do ministro Hadad e do presidente Itamar - e, sim, deturpou-os; não criou o seguro-desemprego - que foi realizado pelo presidente Sarney; nunca resistiu à ditadura - simplesmente fugiu do país. Trata-se de um ás em vampirizar as obras dos outros: o metrô construído por Maluf e Quércia, as iniciativas do governo Alkmin, as realizações do governo Itamar. Da mesma forma, seu programa de governo é fazer o que Marta já fez. É verdade que, assim como não construiu nada do que diz ter construído, também não vai fazer nada do que diz que vai fazer. Mas tudo vira obra sua, e, dentro em breve, comenta-se, o estelionatário estará se atribuindo a construção da Estação da Luz, a do Viaduto do Chá e, certamente, ostentando o buraco do Ademar no seu currículo. |