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Comandante do Exército desautoriza nota infeliz de subordinado

O general Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército, divulgou nota desautorizando a declaração em nota do chefe do Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex), general Antônio Gabriel Ésper, sobre a morte de Vladimir Herzog. "O Exército lamenta a morte do jornalista Vladimir Herzog", diz o comandante do Exército em sua nota, considerando que "a forma pela qual esse assunto foi abordado não foi apropriada". Leia a íntegra da nota a seguir:

"O Exército Brasileiro é uma instituição que prima pela consolidação do poder da democracia brasileira.

O Exército lamenta a morte do jornalista Vladimir Herzog. Cumpre relembrar que, à época, este fato foi um dos motivadores do afastamento do comandante militar da área, por determinação do presidente Geisel.

Portanto, para o bem da democracia e comprometido com as leis do nosso país, o Exército não quer ficar reavivando fatos de um passado trágico que ocorreram no Brasil.

Entendo que a forma pela qual esse assunto foi abordado não foi apropriada, e que somente a ausência de uma discussão interna mais profunda sobre o tema pôde fazer com que uma nota do Centro de Comunicação Social do Exército não condizente com o momento histórico atual fosse publicada.

Reitero ao senhor presidente da República e ao senhor ministro da Defesa a convicção de que o Exército não foge aos seus compromissos de fortalecimento da democracia brasileira".

General Francisco Roberto de Albuquerque/Comandante do Exército

Assim fica difícil, general

A sua nota, general Ésper, foi muito ruim, infeliz. Com uma postura assim você não vai conseguir uma avaliação razoável sobre o que aconteceu nem apontar um caminho a seguir. O que você falou não tem nada a ver com a realidade. Dizer que quem pegou em armas o fez porque não aceitou o "diálogo" é ridículo, general. Não vamos dizer que é um escárnio porque não estamos convencidos de que tenha havido má-fé da sua parte. Mas é um absurdo, camarada general. Que "diálogo", general? O que havia era um governo legitimamente eleito, dos mais democráticos que este país já teve, um dos mais honrados presidentes que este país já teve, estupidamente derrubado por um golpe de Estado grosseiro, ridículo, inteiramente manipulado pela embaixada americana. Não é essa a verdade, camarada general? Você ainda não percebeu? Não é possível. Que "forças subversivas" que obedeciam "comando internacional" eram essas, Ésper? Nós continuamos aqui, camarada general. Qual é a força internacional que nos dá ordens? Então, tome vergonha e pare de falar besteira. Existem coisas que já estão na História, e que não vão sair de lá: não havia "diálogo" nenhum. O que havia era uma ditadura, fruto de um golpe de Estado. Você acha que pode mudar esse fato com uma nota, ou mesmo com uma montanha de notas ? Então, nós pegamos em armas, da mesma forma que vocês, e corremos atrás do prejuízo. Fizemos o que tinha que ser feito, e nunca choramos as conseqüências. Agora isso é matéria vencida, tiro trocado não dói, vamos em frente pelo nosso país. Mas é inevitável, prezado, que os canalhas volta e meia tentem usar as nossas dissensões passadas para semear a cizânia entre nós, entre os patriotas, para abrir espaço aos que querem nos escravizar aos interesses dos "robber barons" americanos. Você não vai conseguir dar resposta a essas intrigas com essa notinha besta que você redigiu, sem consultar ninguém. Você acha que vai tapar o sol com a peneira, cidadão? A prisão e morte de Herzog foi "uma legítima resposta aos que recusaram o diálogo"? Como lembrou o Comandante do Exército, não é o que achou o general Geisel e a imensa maioria dos oficiais do nosso Exército. Porque, Ésper, você tem dificuldade de aceitar que militares tenham cometido erros, e até crimes, neste ou naquele momento? Você pretende que militares sejam infalíveis? Na verdade, o que você demonstra é insegurança de que o Exército não pode ser avaliado única nem principalmente pelos erros cometidos por tais ou quais membros ou chefes em determinado momento. Então, nós, teus adversários de ontem, te dizemos: o Exército, enquanto instituição histórica da sociedade brasileira, está e estará sempre muito acima disso tudo, o Exército brasileiro é berço de heróis, de muitos heróis que em diversos momentos de nossa História deram a vida e o melhor de si pela soberania, pela independência, pelo progresso e pela unidade e integridade da Nação. Não deve ser difícil para você, general Ésper, admitir que, entretanto, nada é perfeito, que às vezes se cometem erros, às vezes erros graves, e que só deve ter dificuldade de reconhecer isso quem não tem um grande patrimônio de acertos - como o Exército brasileiro tem - para absorver e superar os erros. A infalibilidade, general Ésper, é o refúgio das toupeiras e das nulidades, o que certamente não é o seu caso.

Deixe que os canalhas falem. Nós sabemos que não somos perfeitos. Mas sabemos, sobretudo, que nada do que esses vermes dizem ou fazem pode nos atingir, porque para cada canalhice que disserem, nós, o Exército e cada um de nós, temos uma montanha de feitos e argumentos reais para fechar-lhes a latrina, sem que tenhamos que lançar mão dessas falácias que o amigo lançou, em prejuízo da nossa tão antiga e inabalável amizade.

A REDAÇÃO

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