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Carlos Lessa: ‘Discurso contra BNDES vem dos eternos derrubadores da imagem brasileira’

Durante a inauguração do monumento em homenagem ao presidente Getúlio Vargas, no último dia 25, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), o presidente do banco, Carlos Lessa, rejeitou as notícias veiculadas na mídia “quase que orquestrado para atribuir ao BNDES uma série de culpas”. 

“Estão sendo ditas pérolas como: não existem investimentos em grandes empresas porque o BNDES é moroso. Isso é de um ridículo atroz. É dito que o BNDES é responsável por operar uma taxa de juros chamada TJLP e subsidiar setores da economia brasileira. É uma bobagem e revela um desconhecimento semântico. Só há subsídio quando se adquire alguma coisa por um custo maior do que a se vende. Quando se paga ao FAT (Fundo de Ampara ao Trabalhador) exatamente o que se cobra do mutuário, não há subsídio”, afirmou. 

DESENVOLVIMENTO 

Lessa acentuou que “o BNDES é um grande banco de desenvolvimento, com um desempenho cada vez melhor, e desafio frontalmente todos aqueles que ousam dizer que o BNDES é um espaço que convive com a burocracia e a ineficiência. Quando assumi, havia três mil funcionários, com um orçamento de R$ 33 bilhões e executamos integralmente, apesar de muitos articulistas terem dito que não conseguiríamos. Este ano, serão R$ 48 bilhões e vamos executar integralmente e no ano que vem o orçamento será de R$ 60 bilhões. Quem sai de R$ 33 bi para R$ 60 bi com o mesmo número de funcionários significa que a produtividade do Banco está crescendo sem parar”.

Ele afirmou que “quem faz isso são aqueles eternos ‘derrubadores’ da imagem brasileira. São os mesmos que dizem: dada a globalização, o Brasil só tem uma alternativa que é desistir do futuro e dançar conforme a música da globalização”. 

JUROS 

Lessa ressaltou que “tem sido dito também que o BNDES, ao insistir em manter a taxa de juros a longo prazo mais baixa possível, é o culpado da taxa Selic ser alta porque a medida que beneficiamos tomadores com uma taxa de juros confortável, o Banco Central, para manter poder controlar o monstro da inflação, tem que elevar muito a taxa de juros.  Isso é uma bobagem, técnica, acadêmica, conceitual da pior qualidade. Investimento de longo prazo amplia a oferta que é a melhor formula de, pelo lado da produção, combater uma tendência alta de preço”.

Segundo Lessa, “elevações de taxas de juros são formas manejadas pela política monetária para cortar demanda, para fazer com que as pessoas endividadas gastem menos, para fazer com que as empresas, com medo de juros altos, não tomem a decisão de realizar investimentos e para fazer com que toda sociedade tenha como sinal: não cresça porque o investimento causa inflação.  A política monetária usa a taxa Selic para administrar reservas monetárias de curto prazo. O BNDES usa a TJLP para financiar investimentos de longo prazo. São operações, do ponto de vista econômico, radicalmente diferentes. É muito cômodo, frente a   uma economia cuja taxa de inflação se mantém alta, encontrar uma justificativa para elevar a taxa Selic jogando a culpa em cima do financiamento do investimento”.

Para Lessa, a idéia de que os recursos do FAT sejam recursos a serem distribuídos pela rede bancária privada é a idéia “de desmantelar de vez com a existência de um banco de desenvolvimento.  É idéia para que o Brasil renuncie ter um instrumento de impulsionar sonhos de futuro. A gula toda está em ter acesso aos recursos do FAT porque são recursos, que sendo remunerados a uma taxa menor, darão àqueles que o manipularem um poder ‘negocial’ que o BNDES não utiliza”.

Ele disse ainda que o discurso dessas pessoas “está a serviço da destruição do BNDES, da desmontagem da Caixa Econômica Federal, do despojamento do Estado Nacional Brasileiro de instrumentos fundamentais para construir o futuro que todos nós sonhamos”. 

GETÚLIO 

O monumento inaugurado foi escolhido através de um concurso Nacional “Monumento a Getúlio Vargas”, ganho por Daniel Belion que recebeu o prêmio de R$ 10 mil. Sua obra constitui em um mapa do Brasil saindo de uma placa de aço com a frase: “o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico constitui importante peça no mecanismo que permitirá o governo levar a bom termo o vasto plano de  soerguimento econômico do Brasil”, Getúlio Vargas, dezembro de 1952.

A placa de inauguração foi descerrada por Celina Vargas, neta de Getúlio e pelo vice-presidente do BNDES, Darc Costa.

Lessa lembrou que Getúlio criou BNDES a partir de uma recomendação da comissão mista Brasil-Estados Unidos que teria surgido depois da Segunda Guerra Mundial que permitiria que os países que haviam se aliado na derrota do nazi-fascismo receberiam um apoio. “O apoio, no caso do Brasil, seria de 500 milhões de dólares.  Este dinheiro nunca chegou e nós, brasileiros, implantamos sem qualquer apoio significativo o BNDES que é hoje o segundo maior banco de desenvolvimento do mundo.  Nós, brasileiros, fizemos em 50 anos, o BNDES ser o segundo maior banco do mundo e , ano que vem, seremos maior que o Banco Mundial”. 

Ele afirmou ainda que é lamentável ter ocorrido na década de 90 “a idéia de converter o banco de desenvolvimento em um banco de investimento onde a qualidade do projeto não é a variável decisiva e sim a qualidade do cliente. O banco de investimento é um armazém. Se um cliente entrar no armazém e quiser comprar goiaba para misturar com caviar, tudo bem, contanto que esteja pagando.  Porém, o banco de desenvolvimento é tirar o Brasil do chão e fazer uma nação erguida, um país com futuro e levá-lo em direção da sua civilização potencial, superar as limitações naturais do mercado, é ser maior do que a decisão de cada um isolado. É poder construir aquilo que é possível quando se interpreta o sonho de uma sociedade como um todo”.

E finalizou: “o nosso povo faz a Petrobrás, faz o BNDES, o nosso povo faz, nascido em Garanhuns, sem certidão de nascimento segura, presidente da República, que quando recebe o diploma diz que é o primeiro que recebe na vida e faz até a defesa do idioma de Camões. Nosso povo é genial, é sobrevivente, não é arrogante.  Nosso povo inventa restaurante a quilo e mistura arroz, feijão e sashimi, come salada com espaguete.  Nenhum povo do mundo faz esse prodígio.  Nós, do BNDES, somos nacionalistas e temos muito orgulho de sê-lo”.

VIVIANE VITORINO/SUCURSAL RIO   

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