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Requião, sobre a Soja RR: “Sou contra a subordinação do país à Monsanto”

“Eu sou contra a subordinação do país a essa ‘porcaria’ sem que haja uma análise científica”, afirmou o governador do Paraná, Roberto Requião, sobre a soja transgênica da norte-americana Monsanto (a Roundup Ready) depois de protocolar em Brasília, no último dia 25, ofícios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministros José Dirceu (Casa Civil), Marina Silva (Meio Ambiente) e Roberto Rodrigues (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) solicitando que o Paraná seja declarado “Zona Livre de Transgênicos”, conforme prevê a Lei n.º 10.814/03.

Desde que tomou posse, Requião vem reivindicando junto ao governo federal a declaração de “Zona Livre de Transgênicos” para o Paraná. O Estado, desde 1998, proíbe a entrada de organismos geneticamente modificados em todo o território paranaense sem autorização prévia. Por determinação de lei estadual, a partir de 2002 passou a exigir que produtores de sementes de outros Estados apresentassem o Certificado de Qualidade de Biossegurança (CQB) para sementes de soja destinadas ao comércio ou trânsito interestadual. Além disso, o Porto de Paranaguá, principal exportador de grãos do país, não exporta soja transgênica.

“Conversei com o presidente Lula em Curitiba. Argumentei com ele a legitimidade da reivindicação do Paraná e agora vim a Brasília oficializar a solicitação. O Paraná tem tudo para se tornar área livre de transgênicos”, afirmou Requião, que ressaltou ainda que, “o governo federal estava desinformado a respeito da soja transgênica no Paraná e, agora, está informado, porque junto com os ofícios, encaminhei um cronograma de fiscalização desde 1998 que demonstra que a presença de soja transgênica no Paraná e insignificante”.

Hoje, existem apenas 574 produtores no Paraná que assinaram o Termo de Compromisso, Responsabilidade e Ajustamento de Conduta para o plantio de soja transgênica nas safras de 2003/2004 e 2004/2005 com o Ministério da Agricultura. O governo paranaense está solicitando informações sobre estes agricultores afim de fiscaliza-los. Segundo o chefe da divisão de Defesa Sanitária Vegetal do Paraná, Carlos Alberto Salvador, “essas informações darão ao Estado a condição de exercer uma ação fiscalizatória ainda mais eficiente, permitindo-nos manter o completo controle e a rastreabilidade da soja produzida no Paraná”.

Algumas cooperativas querem se associar a Monsanto para multiplicar a soja transgênica e manter os agricultores na mão, manter a subordinação a um tipo de semente e aos royalties cobrados pela Monsanto, que vai estabelecer um controle da agricultura brasileira”, alertou Requião, sobre o monopólio da multinacional Monsanto da soja RR. Segundo o governador, hipoteticamente, se todos os produtores paranaenses de soja se subordinassem ao monopólio da Monsanto, e começassem a utilizar a soja RR, no ano passado teriam sido pagos R$ 65 milhões em royalties para a multinacional e, na safra 2004/2005, o valor passaria para R$ 140 milhões.

LEIDE MAIA   

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